Jehozadak Pereira: Até quando vamos esperar que o navio entregue as nossas caixas?

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Por Jehozadak Pereira

O recente debacle da BR Courier traz novamente à luz um antigo problema das transportadoras de caixas para o Brasil. Já se escreveu e falou de tudo, e não é a primeira vez que a comunidade, ou melhor, que o consumidor brasileiro é surpreendido e lesado nos seus interesses, bens e posses.

Na terça-feira desta semana, 1º de maio, uma consumidora que esperava receber de volta a caixa que havia entregue para a BR Courier em setembro do ano passado desabafou e expressou o sentimento de gente trabalhadora e honesta que novamente é enrolada na sua confiança. Isto é uma indignidade e é muita humilhação! E o pior é que não há ninguém que nos dê uma resposta coerente para as nossas dúvidas. Até quando seremos enrolados e maltratados no nosso direito?

E ela não deixa de ter absoluta razão, já que não é a primeira vez que isto acontece. Somente em Massachusetts nos últimos anos foram milhares de brasileiros lesados em milhões de dólares, tanto na cobrança do frete quanto nos bens adquiridos para mandar para o Brasil. Informações dão conta de que somente em Massachusetts são cerca de 3,6 mil caixas que formam aproximadamente 50% do total nos EUA. A BR Courier está devolvendo as caixas e ao que parece se cercou de todos os cuidados legais para preservar os seus direitos. Mas e o direito do consumidor, quem há de olhar por eles? A pergunta que se faz é por que a empresa continuou coletando caixas e mercadorias se sabia que não teria condições de cumprir com o serviço contratado?

É certo que nem todos os empresários que trabalham no ramo são picaretas ou espertalhões e ninguém está a salvo de passar por um infortúnio qualquer. Porém quebras de transportadoras deixam o segmento em descrédito.

Qual será a próxima a deixar o consumidor esperando o navio chegar em vão? Como saber se a transportadora que anuncia é idônea e vai realmente entregar a sua caixa ou se é mais uma picaretagem? A comunidade brasileira tem-se transformado aos poucos sem se dar conta disto. Entre os brasileiros há gente que rouba lojas, postos de gasolina, bancos, carros para tirar rodas, bancos e acessórios. Há gente que explora mulheres, vive de agiotagem, de falsificação de documentos, de extorsão, de roubo de carros e residências, baderna, gangues, e brigas. Além de outros golpes infestam a comunidade.

As histórias são muitas. No tocante aos consumidores que enviaram suas caixas, o que se vê é desamparo, falta de informação, mau humor dos atendentes e responsáveis pelas empresas que se escondem e se omitem como se a questão não fosse com eles. O consumidor brasileiro merece, sim, atenção e satisfação por parte das companhias.

Aliás, o silêncio de algumas delas é constrangedor e fica no ar o cheiro de picaretagem, pois o que interessava era receber por um serviço que já se sabia de antemão não seria dado como contrapartida.

São as famosas companhias de transportes de cargas para o Brasil que surgem e somem num piscar de olhos, deixando muitos clientes literalmente querendo ver os navios com as suas cargas que jamais chegam ao destino, e quando chegam muitas delas são entregues totalmente saqueadas e roubadas. De quem é a culpa? Como resposta é um eterno jogo de empurra e, como dissemos anteriormente, de omissão mesmo. Até se pode entender que alguns segmentos passem por dificuldades e lutem contra elas, mas é sempre a mesma coisa, e quem acaba por pagar a conta, ou melhor, o prejuízo é mesmo o consumidor. Já passou da hora disto acabar.

O salutar disto tudo é que a comunidade se mobiliza em busca de respostas e de uma satisfação por pequena que seja, no sentido de que a justiça seja de fato feita e que tais fatos não se repitam jamais.

Já os que vivem de expedientes pouco excusos e de golpe em golpe contribuem para que a reputação da comunidade seja manchada e jogada no lixo, e logo as coisas que já são difíceis se tornarão ainda mais dificultosas. A razoável abundância de oportunidades atraiu para cá uma multidão de desocupados e golpistas que espera viver aqui do mesmo modo que vivia no Brasil aplicando golpes e lesando quem trabalha honestamente, o que nos faz sentir saudades dos tempos que transgressão era dirigir com carteira internacional.