Joarez Moreira de Souza Filho

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Retrato colorido do artista

Antonio Tozzi

Um pincel na mão e uma cartela de tintas produzem imagens instigantes nas telas pintadas por Joarez, nome artístico adotado pelo paulista Joarez Moreira de Souza Filho, natural de São José dos Campos, cidade do Vale do Paraíba onde fica a sede da Embraer, a quarta maior companhia fabricante de aviões comerciais do mundo.

Parece que ele assimilou a velocidade dos aviões, porque sua carreira decolou tão rápido como um jato. Hoje, seus trabalhos ornam as paredes de vários colecionadores de todo o mundo, inclusive da mãe do ator Chevy Chase, que vive em Fort Lauderdale, e para quem Joarez reproduziu a foto em tela quando ela ainda era jovem.

Com apenas 32 anos de idade e sete de carreira, Joarez está voando rápido rumo ao estrelato. Algo que ele sequer imaginava quando começou a pintar no Japão. Sua ligação com aquele país oriental vem de berço, pois sua mãe é nissei, ou seja, filha de japoneses nascida no Brasil.

Descoberta da vocação – Depois de ter ido para o Japão a fim de trabalhar na linha de montagem da fábrica da Honda – país no qual viveu por seis anos somados o tempo em que morou lá em duas ocasiões -, Joarez descobriu sua verdadeira vocação. “Após ter assistido a um filme, peguei num lápis e nunca mais parei de pintar”, conta o pintor.

O ano era 1998 e ele começou a pintar retratos, inicialmente para amigos, mas depois foi aceitando encomendas. De repente, Joarez descobriu-se um retratista. Muitos brasileiros e japoneses foram retratados nas telas pelo pincel do artista.

A arte mostrou um novo e fascinante caminho para Joarez. Daí, ele decidiu voltar para o Brasil e montar seu próprio estúdio de arte, em São José dos Campos. A partir de fotografias já existentes ou de fotos tiradas por ele mesmo, Joarez pintava um óleo sobre tela que eternizava o momento mágico contido no retrato.

Paralelamente a isto, ele dedicava-se a fazer cursos livres e workshops sobre dese-nho e pintura, tanto em São José dos Campos como em São Paulo. “Aproveitava para ir aperfeiçoando minha técnica porque fui autodidata. Claro que a intuição é importante, mas sempre há necessidade de aprimorar nosso trabalho”, analisa o pintor.

EUA em sua vida – Ele também passou a ter contato com materiais mais caros. Pincéis, tintas e telas importadas tornam a arte um investimento caro desde o início do processo. “A diferença de preço entre os materiais europeus e brasileiros é brutal, mas não dá para negar que o resultado é bem superior quando se usa materiais de boa qualidade”, atesta Joarez.

Quando pensou ter encontrado seu filão, surgiu uma nova oportunidade de morar no exterior. Desta vez, nos Estados Unidos. Ele estava certa tarde em seu estúdio quando Valter de Morais, famoso pintor radicado no Sul da Flórida, entrou e logo foi apresentando-se.

Natural de São José dos Campos, Valter gostou do trabalho de seu conterrâneo e simpatizou com o jovem artista. Juntos, fi-zeram exposições em Santos e em Campos do Jordão, cidade serrana do estado de São Paulo, onde se realiza o famoso Festival de Inverno nos meses de julho.

Após o breve período de convivência, eles se tornaram amigos. Valter convidou, então, Joarez para se mudar para a Flórida e pro-meteu que o ajudaria no que fosse preciso. O retratista interessou-se pela proposta, conversou com sua esposa, Cíntia, e decidiram que valia a pena arriscar.

Dessa maneira, em 2003, o casal desembarcou em Miami cheio de sonhos e esperanças. Eles se radicaram em Broward e Valter cumpriu o que prometeu. Percorreu o circuito de galerias de arte e contatos artísticos para apresentar Joarez e mostrar seu trabalho.

Novo estilo – Há pouco mais de um ano, Joarez descobriu um novo estilo. Suas figuras estilizadas pintadas em acrílico sobre tela despertaram o interesse de galerias e marchands de artes. Este estilo abstrato surgiu com a confecção de um quadro, que incluía uma violinista.

“Esta inspiração surgiu sem nenhuma influência de outro artista. Foi mesmo uma obra divina”, comentou Joarez, que é cristão evangélico.
Para sua surpresa e contentamento, o estilo caiu no agrado do público e hoje suas telas estão presentes em todos os Estados Unidos. As reproduções dos seus quadros estão na Califórnia, Arizona, New York, Colorado, Geórgia, além de todo sul da Flórida. “É bom frisar que as reproduções têm uma qualidade singular, porque elas passam por um processo de reimpressão numa tela especial, texturização e depois assino pessoalmente cada quadro”, destaca Joarez.

Entusiasmado com a repercussão de suas obras, ele vem mantendo em seu poder mais quadros originais – avaliados em torno de $7,000 – a fim de beneficiar-se de uma provável valorização.

Na segunda quinzena deste mês de fevereiro, ele fará uma exposição na Waters & Colors Gallery, uma galeria de arte localizada na Lincoln Road, no coração de Miami Beach. Será sua segunda exposição em Miami-Dade, pois ele já havia realizado uma mostra numa galeria de Coral Gables em conjunto com Valter de Morais.

Como sonhar não paga impostos, Joarez não esconde seu desejo como artista plástico. “Dentro de dez anos, quero ver meus quadros expostos no Museu do Louvre, em Paris, no Museu do Prado, em Madri, e no Metropolitan Museum, em New York”, declarou. Ou seja, pretende estar vivo quando suas obras estiverem nestes museus consagrados.

Pela determinação e fé em Deus demons-tradas por Joarez, não dá mesmo para duvidar que seu sonho se torne realidade.

Agradecimentos do artista

Joarez tem a humildade de reconhecer aqueles que foram e são importantes em sua trajetória vitoriosa:
“Muitos ficarão de fora, mas não posso deixar de prestar meu reconhecimento a pelo menos três nomes.

Em primeiro lugar, agradeço ao Senhor pelo dom artístico, pelas oportunidades e pelo sucesso do trabalho. Não há casualidades, coincidências ou sorte em minha carreira, mas, sim, Deus que me ajuda a abrir todas as portas!

À minha esposa Cintia, que sempre esteve ao meu lado desde o primeiro desenho e me incentivou o tempo todo, mesmo nos momentos mais difíceis, quando cheguei a pensar a desistir.

Ao meu grande amigo Valter de Morais, cuja boa formação e experiência o tornam um artista completo. Não tenho como retribuí-lo por seu desprendimento e profissionalmente devo muito a ele.”