Justiça de Nova York anuncia indiciamento de Paulo Maluf

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O promotor de Justiça Robert Morgenthau, de Nova York, anunciou nesta quinta-feira o indiciamento do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e de mais quatro acusados de desviar US$ 11, 6 milhões de obras públicas de São Paulo para um banco americano.

De acordo com um comunicado oficial da Promotoria Distrital de Nova York, após serem desviados para os EUA, os fundos foram transferidos para uma conta bancária em nome de Maluf no paraíso fiscal das ilhas Jersey, no Canal da Mancha.

“Quando foi prefeito da cidade de São Paulo, Paulo Maluf e seus cúmplices saquearam os cofres da cidade e utilizaram Nova York como rota de saída para enviar os fundos desviados para jurisdições ‘offshore’, onde acreditavam que estariam a salvo da detenção. Os indiciamentos de hoje são um sinal de que não permitiremos que Nova York seja usada como rota de procedimentos criminosos, não importa se onde eles se originem”, diz Morgenthau.

Além de Maluf, também foram indiciados seu filho Flávio Maluf, o diretor financeiro de uma empreiteira que estaria envolvida no esquema de desvio de verbas, Simão Damasceno de Oliveira, o contador da mesma empresa, Joel Guedes Fernandes, e Vivaldo Alves, que efetuaria transações financeiras no mercado negro, segundo a Justiça de Nova York.

As investigações apontam que os desvios tiveram início durante o mandato de Maluf como prefeito de São Paulo, de 1993 a 1997, e continuaram nos anos subseqüentes, durante os quais os acusados criaram um esquema de desvio de verbas públicas de São Paulo. Maluf teria utilizado sua posição para empregar amigos e aliados que facilitariam o esquema.

Segundo o comunicado, o desvio envolveria a construção da avenida Águas Espraiadas, na zona sul de São Paulo. Para movimentar o dinheiro desviado, Maluf teria recorrido a pagamentos em dinheiro e a transmissões de fundos por meio de operações “doleiros” para as contas controladas pelo grupo em Nova York.

Parte dos fundos teria sido transferida para uma conta na agência do Banco Safra localizada na 5ª Avenida, que era mantida sob o nome de “Chanani”, mas era controlada por Maluf.

Fundos

Segundo a nota, parte dos recursos desviados foram usados para custear despesas pessoais nos Estados Unidos e no Brasil, e outra parte para o financiamento de campanhas políticas, entre elas, a campanha de Maluf para governador de São Paulo, em 1998, e também em 1997, durante a campanha para a escolha do sucessor de Maluf.

De acordo com a Promotoria, entre novembro de 1998 e maio de 1999, cerca de US$ 140 milhões passaram pela conta administrada pelo nome fictício de “Chanani”.

“O esquema envolveu um projeto orçado em US$ 200 milhões, que custou US$ 600 milhões aos brasileiros”, diz o comunicado de Morgenthau.

Segundo o promotor, Maluf teria ficado com cerca de 20% das verbas desviadas. “Trata-se de um caso de corrupção e ganância em enorme escala”, avaliou o promotor.
Outro lado

Em nota divulgada nesta quinta-feira, o assessor de imprensa de Maluf, Adilson Laranjeira, afirmou que as declarações da Promotoria Distrital de Nova York, “permitirão, finalmente, que Paulo Maluf possa se defender e provar que é inocente das acusações que lhe fazem”.

O comunicado afirma ainda que um advogado norte-americano já foi contratado para defender Maluf, e que o deputado “não tem e nunca teve conta bancária” em Nova York.

Segundo Laranjeiras, as acusações feitas contra Maluf jamais são “falsas”, não foram comprovadas e são fruto de “perseguição política”.