Legisladores americanos criticam desperdício de ajuda dos EUA ao Iraque

0
837

A Casa Branca recebeu nesta quinta-feira novas críticas e mais ceticismo por parte dos legisladores de ambos os partidos por causa da estratégia no Iraque, desta vez pelo mau uso dos fundos destinados à reconstrução do país.

Pelo segundo dia consecutivo, os representantes do Executivo tiveram que agüentar as repreensões dos membros de um Congresso muito diferente do que o presidente George W. Bush estava acostumado.

“Os programas de reconstrução da Administração no Iraque foram planejados de uma forma espantosa” ironizou o senador democrata Jim Webb, em uma sessão do Comitê de Relações Exteriores da Câmara Alta.

Webb ocupa agora a cadeira que pertencia ao republicano George Allen, e é um dos que fizeram desaparecer a maioria que durante seis anos seguiu Bush, especialmente na política externa.

Mais verba

Hoje, o Comitê analisou o pedido do presidente americano para destinar US$ 1,2 bilhão adicional para a reconstrução do Iraque, após este órgão ter rejeitado, em uma resolução não vinculativa, o envio de um reforço de 21.500 soldados.

Sobre a ajuda econômica, o senador democrata Joseph Biden, presidente do Comitê, lembrou que há três anos e meio a administração solicitou US$ 18,4 bilhões para a reconstrução do Iraque “e os resultados não são agradáveis”.

O Iraque produz atualmente apenas 1,7 milhão barris de petróleo por dia, um terço do que produzia antes da guerra, e 400 megawatts de eletricidade a menos que há um mês antes da invasão americana, disse Biden.

A Casa Branca também enfrenta o descontentamento em suas próprias fileiras, pois a mudança de poder no Congresso deu asas a republicanos que já tinham se distanciado de Bush, como Chuck Hagel e Richard Lugar.

Para Lugar, os resultados dos planos de reconstrução ‘foram decepcionantes para o povo iraquiano, assim como para o Congresso e para os contribuintes americanos’.

David Satterfield, o principal assessor do Departamento de Estado sobre o Iraque, respondeu às críticas na audiência, ao dizer que o plano funcionará porque conta com o apoio “vigoroso” do governo de Bagdá.

“O governo do Iraque está no comando” da estratégia, afirmou Satterfield, que destacou que os EUA entregarão a ajuda “aos líderes iraquianos que rejeitarem a violência, sem levar em conta sua filiação sectária ou partidária”.

Governo sectário

Satterfield afirmou que Egito, Arábia Saudita e Kuwait reclamaram que o governo iraquiano, dominado pelos xiitas, age de acordo com interesses sectários.

No entanto, falou de uma nova atitude no governo e lembrou que 600 membros da milícia do líder xiita Moqtada al Sadr foram presos.

Apesar de suas críticas, Biden reconheceu a importância dos fundos de reconstrução “em princípio”, mas exigiu garantias de que o dinheiro será usado com mais sucesso que no passado.

Ação militar

O Comitê foi mais duro em relação à parte militar da nova estratégia de Bush, ao rejeitar, na última quarta por 12 votos a 9, o envio de reforços para Bagdá e para a Província sunita de Anbar.

A resolução, não vinculativa, chegará ao plenário do Senado previsivelmente na próxima semana. Na Câmara Alta, os republicanos contam com 49 cadeiras, o mesmo número das dos democratas, só que normalmente dois independentes votam com os democratas.

Apesar de ter a maioria, o Partido Democrata precisa do apoio de alguns republicanos para obter 60 votos a favor, o mínimo obrigatório para evitar possíveis táticas que adiariam indefinidamente a votação.

O republicano John Warner apresentou uma resolução oposta à que passou pelo Comitê dirigido por Biden, mas que também rejeita o aumento das tropas. No entanto, a proposta republicana não tem o tom crítico da outra declaração. Em todo caso, a aprovação de uma ou outra será apenas um ato simbólico.

O porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, disse hoje que o envio das tropas será realizado, aconteça o que acontecer no Congresso.

“O presidente entende que as pessoas tenham preocupações políticas. O que disse é: demos a este plano a oportunidade de funcionar”, concluiu Snow.