Lei chega com atraso para algumas famílias brasileiras

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Com os maridos deportados, duas famílias passam por dificuldade para cuidar dos filhos e planejam deixar os EUA

Joselina Reis

As novas regras do perdão que permite agilizar a reunião familiar chegou com atraso para duas famílias brasileiras. Com os maridos deportados, as esposas e os filhos ficaram na Flórida e agora passam por necessidades financeiras além da dor da separação.

A porto-riquenha Jéssica Cristina Cruz, de 33 anos, ainda chora ao lembrar que o marido, o brasileiro Esiel José Fernandes, de 35 anos, foi deportado no dia 1 de novembro. “Ele me ligou do aeroporto, assustado e chorando. Ele foi levado à força”, conta Jéssica.

Esiel deixou quatro enteados e os dois filhos biológicos, os gêmeos Armani e Ariane de um ano e meio, na cidade de Largo (FL). Jéssica conta que o marido, que trabalhava na área de construção civil, foi preso em setembro quando ia para o trabalho. Segundo ela, ele não tinha nenhuma multa de trânsito e nem passagem pela polícia. “Com tanta gente que maltrata os filhos nesse país, eles foram deportar logo um pai exemplar. Ele era maravilhoso tanto com os filhos biológicos como para com os enteados”, lembra.

Ela conta que o casal aguardava a dissolução do primeiro casamento de Esiel no Brasil para poderem regularizar a situação legal dele nos Estados Unidos, mas não houve tempo.

Sem poder trabalhar e sem Esiel, o provedor de toda a família, Jéssica contou com ajuda de um igreja para se manter e agora mora de favor em um quarto na casa de uma amiga. Ela e os filhos querem deixar os Estados Unidos e reencontrar Esiel no Mato Grosso e estão pedindo ajuda para comprar as passagens.

Situação semelhante é o caso da brasileira Ana Paula Ferreira, de 30 anos, o marido dela o brasileiro Ayslan Oliveira, de 30 anos. Ele foi deportado no dia 14 de dezembro depois de passar apenas uma semana preso. Ela conta que depois de pagar uma multa de trânsito, a polícia e os agentes do ICE foram até sua casa para prendê-lo.

O casal aguardava a cerimônia de cidadania dela, marcada para fevereiro deste ano, para dar entrada ao pedido de Green card para ele. Ana Paula já está decidida a voltar ao Brasil em março para reencontrar o marido em Minas Gerais. “O texto sobre o perdão saiu tarde para nós”, reclamou. Ayslan era padrastro do filho de Ana Paula.

No entanto, o advogado Grant Kaplan acredita que, com as novas regras beneficiando a união familiar, as duas famílias ainda têm chances de conseguir morar legalmente nos Estados Unidos. Ele aconselha Jéssica a requerer o benefício junto ao governo mostrando que a ausência de Esiel está colocando a família em grande dificuldade.

No caso de Ana Paula, ele disse que ela precisa realmente aguardar a cidadania americana e assim requerer o benefício da mesma lei. Mesmo Esiel e Ayslan tendo sido deportados os dois ainda podem conseguir voltar ao solo americano legalmente, desde que não tenham passagem pela polícia.

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