Lei de imigração é principal prioridade do governo americano

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O mês de julho deve marcar o início do debate pela reforma imigratória abrangente no país

O presidente Barack Obama, os líderes parlamentares democratas e os advogados de uma reforma das leis de imigração garantem estar desenvolvendo um projeto de lei de imigração abrangente que é a principal prioridade este ano, apesar da pauta cheia no Legislativo que inclui a confirmação do nome da juíza Sonia Sotomayor para a Suprema Corte, a reforma do sistema de saúde pública dos Estados Unidos, as energias renováveis e a administração de duas guerras.

Eles sofreram revezes com o adiamento do encontro na Casa Branca por duas vezes este mês por causa dos “conflitos de agenda”. Mesmo assim, os apoiadores de uma reforma imigratória pensam que Obama terá sucesso num campo onde outros presidentes falharam e impulsionará um plano abrangente que permitirá aos imigrantes ilegais sair das sombras e dar a eles a possibilidade de se tornarem cidadãos.
“Embora estejamos desapontados com este atraso, não há como diminuir a importância de se aprovar um pacote de reforma abrangente de imigração este ano”, disse a deputada Nydia Velazquez, democrata do estado de Nova York, presidente da Comissão Hispânica do Congresso. “O público americano quer soluções para nosso sistema falido de imigração, e estamos confiantes que o presidente manter sua palavra ao efetuar a reforma este ano.”

Outros não estão tão confiantes. Opositores da reestruturação da imigração e alguns líderes republicanos pensam que o debate morrerá antes de começar, por causa do peso de assuntos mais importantes e pelo questionamento sobre o que fazer com cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais, metade deles provenientes do México, que já se encontram nos Estados Unidos.

Assunto bastante delicado, diz Boehner

“É um assunto bastante delicado”, disse John Boehner, republicano de Ohio e líder da Minoria na Câmara dos Deputados. “Com tudo na mesa, não vejo chance disto acontecer, a menos que algum tipo de proposta bipartidária siga adiante. Esta é a única maneira de haver uma chance razoável disto se tornar lei ainda este ano.”

Obama prometeu aos eleitores hispânicos durante a campanha presidencial que encaminharia a questão imigratória em seu primeiro ano de governo, uma promessa que o ajudou a conquistar 67 por cento do voto hispânico contra 31 por cento do candidato republicano John McCain.

No momento, porém, a legislação de imigração está em andamento, com o senador Charles Schumer, democrata de Nova York, membro do Comitê Judiciário do Senado, assumindo a liderança do assunto no lugar do senador Edward Kennedy, democrata de Massachusetts, que está doente e ajudou a elaborar medidas favoráveis à imigração anteriormente.

Schumer disse que espera ter um projeto de lei redigido neste outono. Em seu livro lançado em 2006, “Positively American (Positivamente Americano)”, Schumer sugere uma “solução 50 por cento” para a imigração: Reduzir imigração ilegal em 50 por cento, ao mesmo tempo em que se aumenta a imigração legal em 50 por cento.

Ele acredita que pode conseguir isto ao se concentrar em medidas mais duras contra empregadores que contratram imigrantes ilegais e ao estabelecer um caminho difícil, mas justo para obtenção da cidadania por imigrantes ilegais que estejam vivendo atualmente nos Estados Unidos. “Se você puder convencer as pessoas que não haverá novas ondas de imigração ilegal, há uma chance”, afirmou Schumer. “O erro dos projetos de lei de antigamente é que eles não foram suficientemente fortes no combate à imigração ilegal.”

Tema tem envergonhado Washington

Imigração é um tema que tem envergonhado Washington há muito tempo. O ex-presidente George W. Bush assumiu o governo em 2001 convencido de que suas credenciais como governador de um estado de fronteira lhe daria credibilidade para passar um projeto de lei.
Ele estava errado. Em 2006 o Senado passou um projeto de lei abrangente que morreu na Câmara dos Deputados, apesar dos apelos pessoais de Bush.

O Senado tentou sem sucesso abordar a imigração novamente em 2007, mas ninguém teve coragem no Congresso de discutir um tema tão candente durante a eleição presidencial de 2008.

“Bush foi morto quando o projeto de lei de anistia Kennedy-McCain não foi aprovado numa época em que a economia estava bem”, disse Bob Dane, porta-voz da Federação pela Reforma da Imigração (FAIR), que fez campanha contra as duas tentativas de aprovar a reforma abrangente e está mobilizando os oponentes contra os esforços de Obama. “Com uma taxa de desemprego de 9,4 por cento será duro convencer o pessoal americano agora a apertar a força de trabalho com mão de obra barata.”

Defensores de uma reforma de imigração ampla, no entanto, pensam que a recessão econômica pode ajudar a causa ao acalmar algumas retóricas exaltadas que cercam o tema.

A falta de empregos nos Estados Unidos e o maior controle dos agentes de imigração contribuíram para a queda de 27 por cento na travessia de ilegais pela fronteira no ano passado, de acordo com os números da Agência de Proteção da Fronteira e Alfândega divulgados no mês passado. Isto, segundo os defensores, desarma o argumento de que os imigrantes ilegais estejam tomando empregos de residentes legais.

O público americano parece mais receptivo à política de solucionar a imigração. Uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center revelou que 63 por cento das pessoas são favoráveis “à concessão de uma maneira para que os imigrantes ilegais que já vivem nos EUA obtenham cidadania legal”.