Leis antiimigrantes causam prejuízos em vários estados de EUA

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Muitas leis antiimigrantes adotadas pelos estados resultam em prejuízos econômicos, como alta nos custos da construção e nos gastos das pequenas empresas, segundo um relatório publicado na capital dos Estados Unidos.
O estudo não estipula um valor total ao prejuízo que estas regulamentações estaduais poderão ocasionar à economia por serem muito recentes, segundo seu autor, Peter Creticos, que aponta os tipos do possíveis prejuízos.
O relatório foi solicitado pela Câmara de Comércio, a Associação Nacional de Construtores de Imóveis e a Associação Nacional de Empreiteiros de Telhados, associações que rechaçam as medidas antiimigrantes debatidas a nível nacional e estaduais.
O estudo não aborda possíveis efeitos econômicos positivos dessas leis. Seus defensores afirmam que negar serviços públicos aos imigrantes clandestinos poupará dinheiro ao erário e dissuadirá outros estrangeiros a entrar no país.

Verificação de emprego
Uma das peças chaves desta estratégia é o endurecimento das normas que obrigam as companhias a verificar a situação legal de seus empregados.
No entanto, estas medidas elevam os custos de operação, o que prejudicará especialmente as pequenas empresas, que não têm departamentos de recursos humanos, segundo o relatório divulgado nesta terça-feira.
Além disto, alerta que pessoas com sotaque ao falar inglês ou que pareçam latinos “poderão ser discriminados simplesmente porque o empresário não está seguro de que os documentos entregues sejam autênticos”, e não querem expor-se a uma multa ou à perda de sua licença.
Por setores, o relatório ressalta os efeitos das leis sobre a construção, que emprega uma alta porcentagem de estrangeiros.
Em Tulsa, no Arizona, por exemplo, subiram os custos de certos serviços, devido à redução de trabalhadores disponíveis. Com o endurecimento das leis neste estado, alguns empreiteiros perderam 40 por cento de seus trabalhadores.
As regulamentações também criaram inquietação entre os bancos, alguns dos quais expressaram temor de emprestar a empresas cuja licença pode ser suspensa, por isto é possível que endureçam as condições dos créditos, advertiu Creticos.

Comércio também sofrerá
O documento também aponta que o consumo poderá cair nos bairros habitados por imigrantes. A onda antiimigrante em alguns estados pode fazer com que as famílias estrangeiras, mesmo se apenas um dos integrante for clandestino, se mudem para outro lugar do país, o que representará uma perda de receitas tributárias para o estado.
O estudo de Creticos, diretor executivo do Instituto de Trabalho e Economia, um centro independente, se concentra nos efeitos das leis antiimigrantes aprovadas no Arizona, Colorado, Oklahoma e Pensilvânia.
Diante do fracasso do Congresso em Washington em aprovar uma reforma do sistema a nível federal, os estados assumiram o tema imigratório por sua conta e triplicaram o número de leis este ano, de acordo com um relatório do Conselho Nacional de Legislaturas Estaduais.
Até meados de novembro, os legisladores estaduais haviam apresentado 1.562 projetos de lei sobre o tema, em comparação aos 570 de todo o ano de 2006. Destes, as legislaturas aprovaram 244, em relação aos 84 do ano passado.
A maioria dessas regulamentações torna a vida mais difícil para os imigrantes clandestinos, ao impedi-los, por exemplo, de obter carteiras de motorista ou punir quem esteja levando em seu automóvel um trabalhador indocumentado.
Em contrapartida, algumas outras regulamentações na Califórnia e em Illinois, entre outros estados, beneficiam os estrangeiros e suas famílias, ao estender a eles serviços educacionais ou impedir que a polícia possa deter pessoas indocumentadas.
Creticos assinalou em seu relatório que os estados mais antiimigrantes são os que sentiram uma chegada “recente e relativamente rápida” de imigrantes. Nesses locais, os habitantes estão menos acostumados a conviver com estrangeiros.