Líderes do Senado e Casa Branca fecham acordo para garantir status legal para milhões de imigrantes ilegais

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Acordo é importante, mas representa só o início do processo de aprovação definitiva de uma reforma imigratória abrangente, que pode ser concluída até o final do verão

Senadores importantes dos dois partidos anunciaram um acordo com a Casa Branca nesta quinta-feira (17/05) para resolver o problema da imigração e garantir rapidamente o status legal para milhões de imigrantes ilegais que já estejam no país até o ano de 2006 e também fortalecer a fronteira.

O plano criará um programa de trabalhador temporário para trazer novos imigrantes para os EUA. Um programa adicional cobrirá os trabalhadores agrícolas. Novas medidas de alta tecnologia também serão instituídas para verificar aqueles trabalhadores que estão aqui legalmente.

O compromisso foi selado depois de semanas de difíceis negociações a portas fechadas que aproximou os democratas mais liberais e os republicanos mais conservadores aos oficiais de gabinete do presidente Bush para conceber uma medida altamente complexa que contemple todas as fortes conseqüências políticas.

O senador Edward M. Kennedy, democrata de Massachusetts, disse ter expectativa de que Bush ratifique o acordo. “A política é a arte do possível, e o acordo que acabamos de alcançar é a melhor oportunidade que temos em anos para proteger nossas fronteiras e tirar milhões de pessoas das sombras e trazê-las para a luz da América”, afirmou Kennedy. Antecipando críticas dos conservadores, o senador Arlen Specter, republicano da Pensilvânia., garantiu: “Não é anistia. Isto restaurará a regra da lei”.

O acordo monta o palco para aquilo que promete ser uma batalha encarniçada na próxima semana no Senado como uma das prioridades de Bush, que não envolve a Guerra do Iraque. O presidente disse que quer assinar uma lei de imigração antes do final do verão.

O ponto decisivo surgiu quando os negociadores chegaram a um consenso no chamado “sistema de pontuação” que pela primeira vez priorizará imigrantes com nível de instrução sobre as ligações familiares no momento de decidir a quem conceder green cards.

O esboço do projeto “permite uma via para tirar das sombras através do status legal status para aqueles que estão aqui vivendo aqui ilegalmente”, afirmou a senadora Dianne Feinstein, democrata da Califórnia.

O tema imigração também divide os dois partidos na Câmara Federal, que não deve agir a menos que seja aprovada um projeto de lei no Senado, o qual deve ser votado provavelmente na próxima segunda-feira, dia 21 de maio.

O acordo proposto permitirá aos imigrantes ilegais para obter um “visto Z”‘ e – depois de pagar uma multa de US$5.000 – entrar na fila para obter a residência permanente, que pode levar entre oito e 13 anos. Chefes de família terão de primeiro voltar a seus países de origem.

Eles podem optar por criar um cartão condicional que permitiria aos imigrantes viver e trabalhar legalmente nos EUA, mas não permitiria dar início ao processo de residência permanente ou de cidadania até que as melhorias na segurança fronteiriça e o programa de identificação de trabalhador com tecnologia sofisticada estiverem completas

Um novo programa de trabalhador temporário pode aguardar até que os chamados “gatilhos” sejam ativados.

Esses trabalhadores teriam de retornar para casa depois de um período de trabalho de dois anos, com poucas chances de obter o status legal permanente ou mesmo tornar-se cidadãos americanos. Eles poderiam renovar seus vistos de trabalhadores temporários por duas vezes, mas teriam de deixar o país durante um ano a cada vez.

Os democratas pressionaram para que, em vez dos trabalhadores serem convidados, lhes seja concedida permissão para ficarem e trabalharem indefinidamente nos EUA. Naquele que talvez tenha sido a mudança mais debatida mais significativa, o plano proposto mudaria de um sistema de imigração prioritariamente avaliado através de laços familiares para um que dê preferência por pessoas com alto grau de formação e habilidades reconhecidas.

Os republicanos vem há muito tempo exigindo tais revisões, que eles dizem ser necessárias para estancar o que chamam de “imigração em cadeia” que prejudica a economia, enquanto alguns democratas e grupos liberais dizem ser um sistema injusto que separa as familías.

Somente as ligações familiares não serão suficientes para se qualificar para um green card – exceto no caso de cônjuges e de crianças menores de idade cidadãs americanas.

Novos limites serão impostos para cidadãos americanos que desejam trazer seus pais estrangeiros para o país.