Locutora encabeça movimento pelas vítimas da violência doméstica

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Márcia Elisa, da Rádio Pompano, já passou pelo problema de um casamento abusivo e quer ajudar outras mulheres na comunidade. Primeira reunião será no dia 18 de junho

Quem escuta a suave voz da locutora Márcia Elisa todas as tardes no programa Maria Maria, da Rádio Pompano, não imagina o que ela já enfrentou nesta vida. A brasiliense que mora há sete anos na América esteve atrelada a uma relação abusiva por quase duas décadas com o ex-marido, sendo constantemente exposta a agressões físicas e psicológica.

Desta experiência ela acredita que pode extrair algo positivo para ser passado a outras mulheres da comunidade, que muitas vezes têm medo ou vergonha de enfrentar o problema. Para tanto, ela pretende criar uma associação de vítimas da violência doméstica entre as brasileiras, que terá o apoio de profissionais (psicólogos, assistentes sociais etc.) e, principalmente, servirá como suporte para pessoas que vivem ou viveram o mesmo drama.

“Sei que há muitas mulheres que não conseguem se desvencilhar das relações abusivas por temor de ficarem sozinhas num país estranho, muitas vezes sem documentos. Por isso, acho que precisamos de uma entidade que fale a nossa língua e que possa ajudar a nossa comunidade, formada por gente que já sofreu na pele situação semelhante”, explicou Márcia Elisa, admitindo que o número de casos de violência doméstica tem crescido muito entre os imigrantes. E as principais vítimas (mais de 90% delas) destes crimes são as mulheres.
A associação começa a sair do papel já na próxima semana: Márcia agendou uma reunião para tratar do assunto já no dia 18 de junho. “Vamos usar este tempo para desabafar umas com as outras e aprender com cada uma”, explicou a locutora da Rádio Pompano, que é historiadora de formação e já até escreveu um livro de contos. Para participar do encontro, as interessadas podem ligar para o telefone (754) 367-3067.

Uma das que já confirmou presença é a mineira Patrícia Santos, que viu seu mundo desmoronar há cerca de um ano, ao decidir pôr um ponto final num casamento que, de conto fadas, se transformou em martírio. O ex-marido de Patrícia, segundo ela um americano influente nos condados de Broward e Palm Beach, chegou a colocá-la na cadeia por 24 horas e hoje tem a guarda da filha do casal, de sete anos, sob o argumento da incapacidade da mãe em criar a criança. “Na realidade, foi ele quem me ameaçou, me agrediu e abusou demim de tal forma que hoje eu preciso ir para terapia tentar resolver esses problemas dentro da minha cabeça”, lamenta a brasileira. A questão psicológica está se ajeitando, mas a jurídica ainda depende de ela encontrar um advogado ou advogada que queira comprar a briga com a influente família do ex-marido. “Quero recuperar a guarda da minha filha e, se possível, ajudar outras mulheres a evitarem todo o sofrimento que estou passando”, afirmou a mineira, que está há 20 anos nos EUA.

Mas apesar de tudo, Márcia e Patrícia podem se considerar sortudas. Afinal, nem todas as mulheres sobrevivem a relações abusivas para contar suas histórias: nos últimos dois anos houve pelo menos cinco casos de violência doméstica envolvendo brasileiras que terminaram em morte. Um dos últimos casos foi a da curitibana Silvia Rosa, em Massachusetts, brutalmente assassinada a facadas pelo marido depois de 20 anos de casamento.

“Muitas vezes as mulheres não conseguem enxergar os sinais de que uma tragédia como esta está a caminho. Ao contrário, insistem na relação por considerar que podem transformar o parceiro. Na nova associação vamos debater muito sobre como detectar as relações abusivas em nossa comunidade”, finalizou Márcia