Lula considera irresponsável a greve dos controladores de vôo

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou nesta segunda-feira grave e irresponsável a paralisação dos controladores de tráfego aéreo, ocorrida na noite da última sexta-feira (30) e que, por aproximadamente cinco horas, praticamente parou o espaço aéreo brasileiro.

“Eu acho muito grave o que aconteceu. Acho grave e acho irresponsabilidade pessoas que têm funções que são consideradas essenciais e funções delicadas `paralisarem as atividades`, porque estão lidando com milhares de passageiros que estão sobrevoando o território nacional”, afirmou o presidente, sobre o motim dos controladores.

A paralisação afetou os 67 aeroportos administrados pela Infraero, de acordo com a própria empresa. A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) estima que 18 mil pessoas tiveram os embarques prejudicados na ocasião da paralisação.

“A gente não pode ficar assistindo na televisão todo dia milhares de pessoas sofrendo, esperando cinco ou seis horas, passando privações, pessoas sofrendo, pessoas chorando porque uma categoria se dá o direito de poder fazer isso `a greve`”, disse Lula no programa semanal de rádio “Café com o Presidente”.

O presidente afirmou que se reunirá nesta segunda-feira com o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, e com o ministro da Defesa, Waldir Pires, para tentar uma solução para o setor. Na terça (3), o governo deve se encontrar com representantes dos controladores para debater o processo de desmilitarização do setor, o valor da gratificação salarial e o plano de carreira.

Greve

A paralisação dos controladores de tráfego aéreo começou no Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), com sede em Brasília –que controla o espaço aéreo nas regiões Sudeste e Centro-Oeste–, e ganhou adesão em outras regiões. Com decolagens interrompidas, aeroportos ficaram lotados. Muitos passageiros dormiram nos terminais, e os reflexos foram sentidos no fim de semana.

A greve chegou ao fim no início da madrugada de sábado, quando o governo cedeu às exigências da categoria. De acordo com a minuta de negociação assinada pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o governo fará a revisão de atos disciplinares –que incluem transferências e afastamentos–; assegura que os envolvidos no protesto desta sexta não serão punidos; abrirá um canal permanente de negociação com representantes da categoria para discutir a gradual desmilitarização; discutirá a remuneração dos controladores civis e militares, a partir de terça-feira; e a desmilitarização do controle do tráfego.

Lula seguia para os Estados Unidos –onde se encontrou com o presidente George W. Bush– quando a paralisação ocorreu. O presidente disse que soube do protesto ainda no avião presidencial e que entrou em contato com o comandante da Aeronáutica, com o ministro da Defesa e com o vice-presidente, José Alencar, para barrar o movimento. No sábado (31), nos EUA, Lula falou sobre a nova crise e disse esperar que uma “solução definitiva” saia até a próxima terça.