Lula critica noticiário sobre a crise no Senado

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Presidente erra na avaliação e defende Sarney

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou esta semana o que chamou de “predileção pela desgraça” da imprensa ao noticiar a crise do Senado em vez de dar destaque a melhoras nos níveis de emprego no Brasil desde a explosão da crise financeira mundial, no segundo semestre do ano passado.

“Não consigo entender por que da predileção pela desgraça. Tem tanta coisa boa que acontece no cotidiano do trabalhador”, afirmou Lula, durante lançamento de projeto de revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro. “É como se fosse a única coisa que existe”, completou. “Desgraça pela desgraça também não resolve o problema.”

O Senado enfrenta uma crise depois de uma onda de denúncias de irregularidades cometidas na Casa. Primeiro, foi divulgada informação de que parlamentares usavam a cota de passagens aéreas a que têm direito para pagar viagens a familiares e amigos. Em seguida, surgiram acusações de que o diretor-geral, Agaciel Maia, teria deixado de declarar um imóvel à Receita Federal e que o diretor de recursos humanos, João Carlos Zoghbi, teria sociedade em empresas que prestam serviços ao Senado.

Nas últimas semanas, surgiram também denúncias de atos administrativos secretos que seriam usados para criar cargos e aumentar salários na Casa.

Em visita ao Rio, o presidente afirmou que é necessário melhorar o “padrão de governança” para resolver os problemas do Estado. Lula elogiou o governador Sérgio Cabral (PMDB), dizendo que ambos tiveram a possibilidade de “mudar o paradigma de governança” em suas administrações.

“Uma coisa é o governante não ter dinheiro para fazer uma coisa nova. Outra é ele não se preocupar em consertar o que já existe”, afirmou Lula sobre as gestões passadas do governo fluminense, que acusou de terem permitido a degradação da qualidade de vida do povo ao longo dos últimos 40 anos.

Em seu discurso, Lula também voltou a reclamar que a queda da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) no Congresso teria sido uma manobra eleitoreira da oposição, que prejudicou a população na área de saúde. A proposta de prorrogação do tributo foi derrotada no Senado em dezembro de 2007. “Nós perdemos R$ 40 bilhões do orçamento da União para cuidar da saúde deste país e eu não vi ninguém reduzir o preço em 0,38% da CPMF”, disse o presidente.