Mãe de policial fugitivo condenada a um ano de prisão

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Brasileira de 51 anos de Coral Springs vai cumprir um ano e um dia de prisão por ter ajudado o filho a fugir

Janiber “Jane” Vieira protegeu tanto David Britto, seu filho de 28 anos que era policial de Boynton Beach, que o ajudou a a pagar sua fiança e comprou uma passagem para ele voltar para o Brasil em vez de enfrentar um julgamento onde poderia ser condenado para cumprir uma pena de 10 anos a prisão perpétua.

“Gostaria de dizer que lamento profundamente tudo isto que ocorreu”, disse, com lágrimas nos olhos, Vieira ao juiz do Distrito Federal William P. Dimitrouleas pouco antes de ser condenada a um ano e um dia na prisão pelo crime de conspiração, após ter assumido a culpa num acordo selado no mês passado.

Ela já cumpriu três meses na prisão. Com este tempo mais o bom comportamento, provavelmente será solta em sete meses. Também vai precisar cumprir três anos de liberdade condicional. Poderia ter sido bem pior: ela poderia ter sido condenada a cinco anos na prisão. Os promotores ficaram satisfeitos com a pena dada.

“Fiquem esperançosos e agradecidos”, disse o advogado de Janiber Vieira, David Oscar Markus, aos amigos e membros da família após a sentença judicial. Eles ocuparam duas fileiras na sala de julgamento para demonstrar apoio.

Embora a mulher nunca tenha enfrentado problemas com a justiça antes, Markus disse ao grupo que ela será capaz de suportar mais sete meses atrás das grades. “Vai dar tudo certo”, afirmou.

Os advogados de defesa tinham pedido que ela fosse solta por já ter cumprido um período de prisão, mas o juiz Dimitrouleas rejeitou esta opção, dizendo que este período curto em que Vieira esteve presa não foi suficiente para deter outras mães de ajudar seus filhos que violam as ordens judiciais e fogem da justiça. Embora reconheça o amor dela por seu filho, o juiz considerou que ela “desempenhou uma importante parte no crime”.

Janiber Vieira comprou uma passagem de avião para seu filho em 23 de agosto. Ele cortou a tornozeleira de monitoramento eletrônico no dia seguinte e fugiu para o Brasil, que não tem acordo de extradição. Britto nasceu no Brasil mas se tornou um. cidadão americano.

A brasileira também mentiu para os agentes do Drug Enforcement Administration (DEA), divisão policial de combate ao tráfico de drogas, negando que soubesse do paradeiro de seu filho ou que tivesse colaborado para sua fuga. Ela foi presa em setembro no Aeroporto Internacional JFK em New York quando se preparava para embarcar num voo para São Paulo.

Os advogados de defesa disseram que Vieira agiu em desepero porque seu filho queria suicidar-se enquanto aguardava julgamento. “Ela tinha medo de que ele se matasse”, testemunhou a psicóloga Merry Sue Haber em nome da defesa.

Mais velho dos três filhos de Vieira, David Britto foi Marine e Policial do Ano de Boynton Beach em 2010, mas foi preso em julho por ter conspirado com outro homem e estar em posse 500 gramas de metanfetamina com intenção de vendê-las.

Ele se declarou inocente e foi libertado sob fiança no início de julho. O Departmaneto de Polícia de Boynton Beach demitiu Britto em setembro. O governo não apresentou nenhuma evidência contra ele.

Na Corte, ontem, o advogado assistente do Departamento de Justiça dos EUA, Adam Fels, disse que o ex-policial não recebeu “um único pagamento” no esquema de drogas, mas vendeu armas para traficantes no valor de mercado e disse ainda que Britto recusou dinheiro de um traficante de drogas para atuar como motorista numa negociação de drogas. Fels não revelou qualquer outro detalhe sobre o caso.

Durante a audiência, os advogados de defesa de Vieira tentaram convencer o juiz que ela deveria ser solta por ser uma mulher extremamente boa, religiosa “angelical”, que fez um grande erro num ato de desespero para salvar a vida de seu filho.

“Acho que ela se deixou levar pela emoção”, disse a psicóloga Haber. E disse que Vieira não tem ideia de onde está Britto, nunca mais soube nada dele e “não sabe se ele está vivo ou morto”.

Antes de pronunciar a sentença de Vieira, Dimitrouleas notou que ela estava pronta para fazer o que fosse preciso para resgatar seu filho, e assumiu os riscos, embora o próprio filho não tivesse a coragem de ir à corte para enfrentar as acusações e livrar sua mãe desta vergonha.

Markus duvida que a sentença servirá como exem,plo: “Não acho que colocá-la numa cela por um milhão de anos poderá deter qualquer mãe de fazer o mesmo”, ponderou.