Mais duas brasileiras assassinadas nos EUA

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Em Bridgeport e Newark, vítimas foram mortas por ex-maridos. Nelita Nacif, de Governador Valadares, recebeu mais de 40 facadas.

Pode até parecer notícia velha, mas infelizmente não é. Crimes passionais envolvendo nossa comunidade novamente viraram notícia nas páginas policiais de jornais norte-americanos, desta vez em dose dupla. Duas brasileiras foram mortas por seus ex-maridos em Newark (Nova Jersey) e Bridgeport (Connecticut) em março, engrossando as estatísticas deste crime nos Estados Unidos: em três meses já são seis brasileiras assassinadas nas mesmas circunstâncias.

Em Connecticut, no dia 13 de março, Nelita Gomes Nacif foi encontrada com mais de 40 facadas pelo corpo, desferidas pelo marido, o também brasileiro José Luiz Alves. Depois de seis anos de casamento, os dois estavam em processo de separação e Nelita já estaria até namorando um outro homem – fato que, aliás, teria sido o motivo de uma discussão que acabou culminando com uma briga e a morte de Nelita. O crime aconteceu no apartamento do próprio José Luiz, que fugiu e ficou foragido por algumas horas. Ao ser encontrado pela Polícia na casa de um amigo, ele confessou o assassinato e foi mandado para uma prisão federal, com fiança estipulada em um milhão e meio de dólares.

Nelita era de Governador Valadares e deverá ser enterrada em sua cidade Natal, assim que parentes e conhecidos conseguirem arrecadar o dinheiro necessário para o translado do corpo. Nelita e José Luiz só tinham filhos de relacionamentos anteriores e estavam na América há pouco mais de um ano.

No outro caso, a paranaense Viviane Bueno, de 31 anos, foi esfaqueada até a morte pelo ex-marido, o pintor Elias Machado Prodelik, porque este não aceitava a separação depois de quatro anos de casamento. O crime foi cometido em frente à filha do casal, de apenas três anos de idade, na casa onde as duas moravam. Elias estava, inclusive, proibido por lei de se aproximar da residência, pois já havia ameaçado a vida de Viviane, que então decidiu denunciá-lo.
Após o crime, em 16 de março, a brasileira chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos, enquanto que o assassino se entregava às autoridades policiais. Ele está atrás das grades, sob fiança estipulada em um milhão de dólares. Já a criança está sob cuidados de uma amiga do casal, mas parentes da vítima deverão vir aos Estados Unidos para levá-la de vez para o Brasil. Viviane era da cidade de Ortigueira (Paraná), onde deverá ser enterrada na sexta-feira, dia 23 de março.

Estes crimes chocaram não apenas a comunidade brasileira, mas também preocupam as autoridades norte-americanas. Em Bridgeport, a Polícia local já havia realizado há alguns meses uma reunião com os brasileiros para debater a questão da violência doméstica envolvendo a comunidade, que aumentou muito nos últimos anos. Em Newark, a questão foi tema de um seminário recente, do qual participou até o prefeito Corry Booker. Nos Estados Unidos, desde dezembro de 2006, seis mulheres já foram assassinadas pelos ex-companheiros: além de Nelita e Viviane, Jackline de Melo (Deerfield Beach, Fl), Patrícia Silva (Long Branch, NJ), Anna Kassia Pereira Jorge (Bridgeport, CT) e Tatiana Barros (Tampa, Fl) tiveram o mesmo trágico fim.