Mais um brasileiro enfrenta processo de deportação

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Weslei Barros foi detido pela polícia em Deerfield Beach sem carteira

A história se repete: brasileiro indocumentado é detido no trânsito pela polícia e, sem carteira de motorista, acaba levado para o centro de detenção de imigrantes na esquina da Sample Road com Powerline. Atrás das grades, aguarda a conclusão do processo de deportação.
O caso agora aconteceu com o mineiro Weslei dos Santos Barros, que nasceu em Ataléia MG (nordeste do estado) e está na América há mais de três anos trabalhando com a manutenção de equipamentos para barcos. No dia 15 de agosto, o brasileiro voltava do serviço em sua moto quando foi parado por um policial de Deerfield Beach, numa blitz rotineira. Ao perceber que Weslei não tinha carteira de motorista, o policial levou-o imediatamente para o centro de detenção em Pompano Beach, onde ele aguarda a audiência na corte de imigração e a provável deportação.

Weslei é casado e tem dois filhos em Minas Gerais. Segundo o primo Rogério Vieira, a vida dele na América foi sempre marcada por muito trabalho: “Ele se dedicava ao serviço mais de 15 horas por dia e jamais cometeu qualquer crime. Queria apenas juntar dinheiro para voltar ao Brasil”, disse Rogério.

Ele contou que, assim que soube do paradeiro de Weslei, fez contato com o consulado brasileiro em Miami, mas de lá recebeu a informação que para o caso do mineiro não há muitas alternativas. “As leis americanas estão mais rígidas e pesa contra o Weslei o fato dele ter em seu nome uma ordem de deportacão”, afirmou a funcionária consular, que calcula que a remoção só deve acontecer em cinco ou seis meses.

Segundo o advogado especializado em imigração Max Whitney, a avaliação dada pelo consulado é correta. “Se ele não tivesse um mandado de deportação expedido em seu nome e cumprisse outros requisitos, poderia se qualificar para a saída voluntária”, explicou Max.
Nesse sentido, ele comenta que os brasileiros devem sempre procurar ajuda de um especialista no assunto para apresentar as melhores opções para cada caso. Por exemplo, no caso da saída voluntária, a assistência de um advogado pode reduzir o tempo de permanência do indocumentado no centro de detenção para cerca de um mês, bem como garantir que o imigrante aguarde o julgamento em liberdade mediante o pagamento de fiança.

Rogério, porém, sabe que o primo não terá direito aos benefícios. No entanto, ele acha que em momentos como este é importante que a comunidade esteja unida. “As associações criadas para ajudar os imigrantes poderiam entrar em ação, especialmente disponibilizando um advogado para o atendimento jurídico ou mesmo intercedendo junto aos órgãos competentes no Brasil e nos EUA pela agilização dos processos de deportação”, implora.

Ele disse que ouviu de alguém da polícia de Deerfield Beach que a ordem agora é tolerância zero com os indocumentados. Por isso, considera importante alertar aos imigrantes brasileiros para que tomem todo o cuidado possível. “O sonho americano virou pesadelo para o meu primo”, finalizou Rogério.