Médicos brasileiros são presos por tráfico de órgãos para os Estados Unidos

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Urologistas foram condenados pela Justiça por retirarem órgãos de criança ainda com vida

Paulo Veronesi Paves
Menino Paulo Pavesi, vítima dos médicos

Da Redação, com Agencia Estado – Dois médicos brasileiros foram presos, na quinta-feira (6), em Poços de Caldas (MG) acusados de tráfico e contrabando de órgãos para os Estados Unidos e dentro do Brasil. Celso Roberto Frasson Scafi e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes foram julgados no ano passado pela morte do menino Paulo Veronesi Pavesi, de 10 anos, que caiu do prédio onde morava, em abril de 2000. Segundo o Ministério Público, o menino foi levado para o pronto atendimento da cidade e, além de passar por procedimentos médicos inadequados, teve os órgãos removidos para transplante por meio de um diagnóstico de morte cerebral forjado. 

Outro envolvido no caso, o anestesista Sérgio Poli Gaspar, não foi localizado. O pedido de prisão preventiva dos médicos foi feito pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Poços de Caldas, Narciso Alvarenga Monteiro de Castro, que condenou Gaspar, Scafi e Fernandes a 14, 18 e 17 anos de prisão, inicialmente em regime fechado. Eles respondem pelo crime de remoção de órgãos, com o agravante de tê-lo praticado em pessoa viva, resultando em morte.

O advogado José Arthur Kalil, que defende os dois médicos presos, deve entrar com um pedido de habeas corpus nos próximos dias. Para ele, a prisão de seus clientes foi “desnecessária e ilegal”. O juiz Narciso Alvarenga Monteiro de Castro, que decretou as prisões, disse que a liberdade dos acusados poderia prejudicar a tramitação deste processo e de outros que estão em andamento.

A retirada de órgãos de forma ilegal em Minas Gerais ganhou destaque no mundo todo na época em que passou a ser investigada. Vários casos foram denunciados e processos ainda tramitam na Justiça. Como resultado uma CPI (Comissão Especial de Inquérito), a Santa Casa de Poços de Caldas, palco das denúncias mais graves, ficou proibida de realizar captação e transplante de órgãos.

Livro

Paulo Pavesi, de 44 anos, pai do menino que teria sido vítima dos médicos, há cinco anos foi para a Itália após receber ameaças de morte no Brasil. Hoje, morando em Londres, ele acaba de lançar um livro relatando a história da suposta “Máfia dos Órgãos”. Nela, Pavesi relata em mais de 400 páginas sua versão de como tudo ocorreu e ainda narra as ameaças que o obrigaram a trocar o Brasil pela Europa.