Membro do Partido Democrata de Palm Beach é investigado por fraude contra brasileiros

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Clarence Shahid Freeman, do Partido Democrata do condado de Palm Beach, pode ter lesado imigrantes brasileiros indocumentados

DA REDAÇÃO, COM PALM BEACH POST- O gabinete do sheriff do condado de Palm Beach confirmou semana passada ter aberto uma investigação de fraude contra um membro do Partido Democrata de Palm Beach, acusado de cobrar dinheiro das pessoas para ajudá-las com seus casos de imigração — ajuda que aqueles imigrantes disseram não ter recebido.

Também, a Florida Bar Association enviou uma carta para o mesmo membro do Comitê Executivo Democrata, Clarence Shahid Freeman, exigindo que ele esclareça as acusações de estar praticando advocacia sem a devida licença.

As advogadas de imigração Aileen Josephs, de West Palm Beach, e Cynthia Arrevalo, de Aventura, entraram com uma representação conjunta na entidade em março protestando por Freeman, que não é advogado, estar cobrando dinheiro para ajudar com casos de imigração, dizendo a alguns clientes que o dinheiro seria repassado para as advogadas. Josephs e Arrevalo disseram que isto não era verdade e Freeman negou ter dito que era advogado e nenhum dos imigrantes envolvidos afirmou que ele se disse advogado.

Javier Rincon, sua esposa e três filhos de West Palm Beach, imigrantes colombianos, acusam Freeman de ter cobrado $1.250 de adiantamento para ajudar a retardar a data da deportação e ajudá-los junto às autoridades da imigração para remover as tornozeleiras eletrônicas que foram forçados a usar. A família afirmou que Freeman não os ajudou e ficou com o dinheiro e com os documentos que eles precisavam.

Quatro outros antigos clientes de Freeman foram citados na carta enviada para o Bar. Acredita-se que todos sejam brasileiros. Por um breve período, ele filiou-se ao Brazilian American Democratic Club (BAD), baseado em Boca Raton. A presidente do clube, Isabel Santos, no entanto, desmente que ele tenha sido tesoureiro do BAD: “Shahid nunca foi tesoureiro do clube e nós jamais o apresentamos aos imigrantes brasileiros para ajudá-los com os casos de imigração. O objetivo do clube (que está temporariamente inativo) é e sempre foi trabalhar pela reeleição do presidente Barack Obama e não atuar como escritório de imigração”.

Um estudo dos emails enviados por Freeman revelou que ele propunha interceder pelos imigrantes para fazer aquilo que prometeu para família Rincon: retardar as datas de deportação e remover as tornozeleiras de monitoramento. E também informou às autoridades da imigração que trabalhava para o senador Bill Nelson, da Flórida, fato negado pelo staff do parlamentar.

Freeman negou ter feito algo de errado num email enviado em 8 de março para outro membro do Comitê Executivo do Partido Democrata, Peter Camacho, e disse que não devolveria o dinheiro pego de vários imigrantes. Segundo uma investigação feita por outro dirigente do BAD, Freeman recebeu um total de $7.300 de membros do Brazilian club, além dos $1.250 da família Rincon.

Apesar das fortes acusações de fraude, algumas famílias brasileiras defendem Shahid, afirmando que ele sempre os ajudou e em nenhum momento pediu dinheiro por sua colaboração.