Mesmo com lei polêmica, fronteira do Arizona continua com atividade

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Estado foi o único que registrou um aumento na movimentação

O Arizona acaba de aprovar a lei mais restrita do país em termos de imigração, mas isso não tem surtido efeito até agora na fronteira. A divisa do estado com o México continua movimentada, com centenas de pessoas caminhando milhas no calor do deserto para chegar à América, na maior parte das vezes na companhia de ‘coiotes’ armados. Lá é a única região fronteiriça do país que registrou um aumento na entrada ilegal de imigrantes.

Nos estados vizinhos do Texas e da Califórnia, as cercas servem de fator intimidante aos indocumentados que chegam ao país em busca do sonho americano e transformaram o Arizona na melhor opção para quem quer penetrar nos Estados Unidos. Lá, os contrabandistas humanos preparam novas rotas a cada visita e, ao mesmo tempo que tornam a travessia mais fácil, costumam cobrar mais caro por isso.
Carmen González, de 27 anos, percorreu o deserto do Arizona em sete dias, ao lado do marido e de outros indocumentados, e não foram raras as vezes em que o grupo foi interceptado por criminosos mexicanos que cobravam 100 dólares por pessoa para prosseguir viagem. De nada adiantou, pois muitos foram capturados pela polícia da fronteira e já foram até deportados. É muito difícil e nem vou tentar novamente porque sofremos muito no deserto, disse Carmen.

Dados da Polícia da Fronteira mostram que as detenções na divisa do Arizona aumentaram 6% – em cerca de 10.000 prisões – de outubro do ano passado a abril de 2010, enquanto que a média no país caiu 9%. As estatísticas do lado mexicano também confirmam um incremento nas travessias ilegais através do Arizona.

Só na cidade de Douglas, o Beta, um grupo patrocinado pelo governo mexicano para auxiliar os imigrantes, ajudou a 5.279 pessoas nos primeiros quatro meses deste ano, quase 500 pessoas a mais do que no mesmo período do ano passado. Esta, por sinal, é a mesma área onde o fazendeiro Robert Krentz foi morto a tiros em março deste ano, quando inspecionava sua propriedade. O autor do disparo foi, segundo a polícia, um indocumentado que trabalhava para os ‘coiotes’. O assassinato azedou de vez a relação do Arizona com os imigrantes.