Mestre de jiu-jitsu lança livro sobre história da arte marcial

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Marcial Serrano já publicou dois livros e agora quer revelar o outro lado da história da família Gracie

Joselina Reis

Sem cortes e com muita pesquisa de jornal, o brasileiro Marcial Serrano, de 69 anos, já reuniu centenas de páginas sobre a história do jiu-jitsu no Brasil. Segundo ele, que tem dedicado os últimos quatro anos à pesquisa sobre a arte marcial que pratica desde 1976, muito se fala sobre a origem do jiu-jitsu brasileiro, mas poucos livros foram lançados até agora sobre o assunto. Sua última obra, “O livro proibido do jiu-jitsu – A História que os Gracie não contaram” foi lançado no dia 6 de janeiro e está disponível nos EUA pelo site www.lulu.com.

O livro é a continuação do seu livro “Géo Omori, O Guardião Samurai” – (Agbook/2013), lançado em 2013 que conta a história do mestre japonês que chegou ao Brasil no início do século passado e levou o jiu-jitsu para os brasileiros. Com o tempo, as regras dessa arte marcial foram mudando e o nome alterado para judô, no entanto, no Brasil a raiz do jiu-jitsu como luta de solo continuou e acabou por ser difundida como o jiu-jitsu brasileiro.

Atualmente, o nome mais associado ao jiu-jitsu brasileiro é da família de lutadores, Gracie. Marcial Serrano conta que reuniu mais de 1500 páginas sobre o assunto e a pesquisa é tão grande que terá que publicá-la em partes. Entre os assuntos mais polêmicos divulgados abertamente pela imprensa brasileira na época estão as lutas com resultados ‘armados’, prisões e envolvimento com estelionato. “Os dois patriarcas da família são lembrados como heróis, mas a imprensa da época mostra fatos que dão novo rumo a esta história”, conta Serrano.

A pesquisa, de acordo com Serrano, surgiu após ter que contar e recontar a parte da história que conhece sobre o jiu-jitsu. “Resolvi escrever por querer mostrar aos que não conheciam a verdadeira história dessa arte, que ao contrário do que muitos pensam não foi criada pela família Gracie”, contou.

Procurando nos jornais brasileiros do início do século passado (tudo preservado e digitalizado pela Fundação Biblioteca Nacional) como mostrado por Serrano nas páginas do seu livro, ele descobriu o que pôde sobre a história das primeiras lutas no Brasil. “Naquela época o jiu-jitsu era um esporte que estava na mídia constantemente e por isso o acervo da Biblioteca Nacional é riquíssimo. Quando eu vi que havia muito a ser lembrando, principalmente sobre os fatos que envolvem os mestres como Carlos Gracie e Hélio Gracie e que essas informações são muito diferente do que seus seguidores pregam, resolvi fazer o livro”, revela o autor.

Ele conta que apesar da história do jiu-jitsu brasileiro ser confundida com a história da famosa família de lutadores, os Gracie, os jornais da época mostram que a difusão dessa prática deveria ser legada a outros mestres. Para dar continuidade a seu projeto de divulgação da história do jiu-jitsu, Serrano já planeja outro livro para meados de 2014. “Nesse novo livro que tem o título de “Genesis do Jiu-Jitsu” quero mostrar aos novos praticantes ( pelo menos dos últimos 20 anos), que tudo o que tinha sido posto por antigos historiadores eram informações desencontradas e precisam de base mais séria de pesquisas”, afirma o autor e pesquisador.

Escrever sobre o tema não é novidade para esse paulista. Ele já traduziu do inglês para o português e lançou no Brasil em 2012 dois manuais de jiu-jitsu do método Kawaihi. Seus dois mais recentes trabalho devem ser traduzidos para o inglês ainda em 2014.