México pede ajuda para combater o narcotráfico

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Depois de três mil mortes em três semanas, país admite fracasso na luta contra cartéis

As estatísticas falam mais alto que qualquer discurso: só em três semanas entre os meses de julho e agosto, pelo menos três mil pessoas morreram no México em consequência de crimes ligados ao narcotráfico. Por isso, o presidente do país, Felipe Calderón, admitiu que está perdendo a guerra contra os cartéis da droga e pediu esforço conjunto para encontrar soluções para o problema. O debate sobre esta questão deve ocorrer havendo pluralidade, afirmou.

Ao assumir o poder, no início de 2007, Calderón anunciou uma cruzada contra as gangues das drogas. Para tanto, contou com o apoio dos Estados Unidos (através da Iniciativa Mérida) para ampliar as ações contra o tráfico de drogas, o que militarizou grande parte do país. Cerca de 100 mil homens das forças locais foram remanejados para atuar nesta guerra contra os cartéis.
O esforço não rendeu o esperado e, segundo o diretor da ONG México Unido contra a Delinquência, Eduardo Gallo, mais de 28 mil pessoas foram assassinadas nos conflitos envolvendo o tráfico nestes três anos e meio de mandato do atual presidente. A sociedade nos exige resultados, admitiu Calderón.

Em 18 dias foram registrados 3.174 assassinatos relacionados ao narcotráfico, o equivalente a 176 por dia. Neste mesmo período aconteceu o primeiro atentado no país com um carro-bomba, que teria sido orquestrado pelo cartel de Juárez, que resultou em cinco mortes. Especialistas disseram que o México passou da era do narcotráfico à do narcoterrorismo.