Mudança climática fará com que países inteiros desapareçam

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Miami já sofre com enchentes e situação deve se agravar nos próximos anos

New York City
New York é uma das áreas metropolitanas mais vulneráveis

DA REDAÇÃO com Agência Estado – A mudança climática já está provocando efeitos em todos os continentes e em todos os oceanos, segundo relatório apresentado em 31 de março por cientistas reunidos em Yokohama, no Japão. Eles alertaram que o problema tende a piorar substancialmente, a menos que as emissões de gases de efeito estufa sejam controladas.

O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, um grupo das Nações Unidas, concluiu que as calotas polares estão derretendo, o gelo marinho no Ártico está em colapso, o abastecimento de água está sobrecarregado, ondas de calor e chuvas fortes estão se intensificando, os recifes de corais estão morrendo e os peixes e muitas outras criaturas estão migrando para os polos ou sendo extintos.

Porém, o pior ainda está por vir, disseram os cientistas no segundo de três relatórios que devem influenciar o debate a respeito de um novo tratado climático global no ano que vem. O relatório enfatizou, em especial, o risco considerável ao abastecimento alimentar do planeta – ameaça que pode ter sérias consequências para nações mais pobres.

“Ninguém ficará imune aos impactos da mudança climática”, disse Rajendra Pachauri, presidente da comissão.

Os efeitos da mudança climática têm levado a um crescente sentimento de indignação nos países em desenvolvimento. Muitos deles sofrerão em cheio as consequências do aumento das temperaturas e do nível do mar, apesar de terem contribuído pouco para a poluição apontada como a causa desses problemas.

Deltas fluviais do mundo todo estão particularmente vulneráveis aos efeitos da elevação do nível dos mares, e cidades mais ricas, como Londres, Veneza e Nova Orleans, também enfrentam um futuro incerto.

Estados Unidos
Embora os mares estejam subindo no mundo todo, o fenômeno não ocorre em ritmo igual no planeta inteiro. Um estudo de 2012 do Departamento de Pesquisas Geológicas dos EUA concluiu que o nível do mar na Costa Leste aumentará três ou quatro vezes mais rapidamente do que na média global no próximo século. Enquanto na média global a estimativa seja de que o nível do mar suba um metro até 2100, na costa atlântica dos EUA a elevação pode chegar a dois metros. O estudo cita Boston, New York e Norfolk (Virgínia) como as áreas metropolitanas mais vulneráveis.

Outro estudo mostrou que uma elevação ligeiramente inferior a meio metro já exporia imóveis num valor de $6 trilhões a inundações litorâneas nas regiões de Baltimore, Boston, Nova York, Filadélfia e Providence (Rhode Island). Isso gera enormes dúvidas sobre o destino do porto de Boston, onde os incorporadores vêm investindo milhões em projetos de construção.

Os urbanistas anteveem um futuro em que ressacas inundarão enormes faixas de Boston. Eles desenvolveram um plano de ação climática descrevendo como a cidade pode se preparar melhor para o desastre.

Miami está construída sobre uma porosa fundação de calcário, na costa sul da Flórida, o que a torna extremamente vulnerável à elevação do nível do mar, segundo um esboço da Avaliação Climática Nacional feito pelo governo federal em 2013.

Como o gelo do Ártico continua a derreter, as águas nos arredores de Miami podem subir mais do que meio metro até 2060, de acordo com um relatório do Compacto Regional do Sudeste da Flórida para a Mudança Climática.

Os moradores dizem que já estão sofrendo efeitos com a inundação de ruas e sistemas de esgoto. O calcário poroso cria uma ameaça ímpar, já que a água do mar se infiltra pelas fundações da cidade.

Um estudo do Departamento de Transportes da Flórida concluiu que, nos próximos 35 anos, o aumento do nível do mar pode danificar estradas vicinais na região de Miami e que, a partir de 2050, as principais rodovias litorâneas também sofrerão inundações significativas e ficarão deterioradas.