Muitos perdem com o muro na fronteira

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DA REDAÇÃO COM AP – Quando o governo federal começou a apoderar-se de terras para construir um muro ao longo da fronteira entre Estados Unidos e México, Teófilo Flores recebeu a oferta de $1,650 por uma parte do terreno de sua casa.
No início parecia um bom negócio, mas depois ele ficou sabendo que seu vizinho havia cobrado 40 vezes mais por um terreno similar e outro agricultor da região recebeu $1 milhão.

Desde 2008 centenas de pessoas que possuíam terras na fronteira têm conseguido preços justos por terrenos desapropriados pelo estado para construir o muro. Mas muitos deles receberam ofertas abaixo do valor de mercado e dezenas deles as aceitaram sem procurar assistência legal. Ficaram sabendo depois que seus vizinhos haviam conseguido acordos bem melhores com a ajuda de advogados.

A disparidade nas compensações gerou interrogações em relação ao tratamento dado pelo Departamento de Justiça a centenas de pessoas que têm terrenos na fronteira – do Texas à Califórnia -, que não puderam pagar advogados e agora são obrigados a conviver com una enorme estrutura metálica em suas granjas, fazendas e quintais.

A diferença nos preços “reflete as injustas ofertas iniciais”, afirmou a advogada Corinna Spencer-Scheurich, que representou pessoas de baixa renda quando começaram as desapropriações.

O governo federal “está usando seu poder para ficar com as terras a um preço injusto. Creio que isto está claro, a julgar pelos acordos que feitos” quando tiveram que negociar, indicou.

Os advogados do governo disseram que estas ofertas iniciais eram apenas o primeiro passo e posteriormente poderiam ser ajustadas.

História do muro

Em 2006, o Congresso ordenou a construção de um muro de metal de 1.078 quilômetros (670 milhas) para combater a imigração ilegal. O projeto forçava os proprietários a entregar os terrenos por onde deveria passar o muro. Em alguns casos eram pequenas extensões; em outros, campos inteiros. A Constituição dos Estados Unidos estipula que o governo deve compensar os proprietários quando se apropria de suas terras.