Mulher diz ter matado e esquartejado marido após briga por causa de traição

0
563

Marcos Matsunaga era diretor da Yoki, empresa vendida recentemente para a General Mills dos Estados Unidos

Elize Matsunaga, 38, afirmou em depoimento nesta quarta-feira (6) ter matado o marido, Marcos Kitano Matsunaga, 42, após uma discussão conjugal por conta de uma infidelidade que teria sido descoberta por ela. Ele era diretor-executivo da Yoki e foi encontrado esquartejado no fim do mês passado.

Segundo a polícia, ela afirmou também que foi agredida por Matsunaga antes do crime e que agiu sozinha. O rastreamento do celular mostra que a mulher esteve na região onde partes do corpo da vítima foram deixadas.

Apesar disso, a polícia ainda investiga o marido de uma empregada de Elize sob suspeita de ter ajudado a desovar o corpo.

Ela disse que não teve a ajuda de ninguém e que fez tudo sozinha, mas nós vamos checar todo esse depoimento. A investigação ainda não está terminada, afirmou o delegado Jorge Carrasco, chefe do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).
Uma testemunha de Cotia cidade da Grande SP onde foi desovado o corpo diz ter visto quando um motociclista, vestido de preto e em uma moto escura, jogou os sacos plásticos azuis onde estavam pedaços do corpo do executivo.

Essa é a primeira vez que Elize, que é bacharel em direito, é ouvida desde o crime. Até então, ela negava qualquer envolvimento na morte do marido.

Elize afirmou que após atirar na cabeça do executivo, arrastou o corpo até o banheiro da empregada onde fez o esquartejamento. Partes do corpo teriam sido armazenadas nos refrigeradores do apartamento onde o casal morava.

As três malas que aparecem com ela em imagens das câmeras de segurança do prédio foram usadas para fazer o transporte do corpo até o local onde foi feita a desova, segundo depoimento. As malas estão sendo procuradas pela polícia, segundo Carrasco.

O empresário havia desaparecido no dia 20 de maio. No dia seguinte, o primeiro pedaço de corpo foi encontrado. A última parte a ser achada foi a cabeça, que permitiu que o reconhecimento da vítima fosse feito pelo seu irmão no dia 28.

Elize está presa enquanto prosseguem as investigações policiais.

O crime

A polícia analisou imagens de câmeras de segurança do prédio onde morava o casal, na zona oeste de São Paulo. No sábado (19), o casal, uma babá e a filha do casal de um ano chegaram ao apartamento por volta das 18h30. A babá, dispensada, foi embora logo em seguida.

Cerca de uma hora depois, Matsunaga desceu até a portaria para pegar uma pizza. Ele estava com a mesma roupa uma camisa marrom encontrada pela polícia nos locais onde pedaços de seu corpo foram deixados.

Às 5h de domingo (20), a babá chegou ao apartamento ao qual ela possui acesso limitado, não podendo circular por todos os cômodos. Por volta das 11h30, Elize desceu até a garagem, pelo elevador de serviço, com três malas.

Às 23h50, ela retornou sem as malas. Segundo a polícia, ela afirmou que esqueceu as malas no carro. O fato é que ele entrou no apartamento vivo e de lá não saiu, disse o delegado Jorge Carrasco, chefe do DHPP.

Os policiais do DHPP (departamento de homicídios) suspeitam que Elize contratou um detetive para seguir o executivo. E descobriu que, entre 17 e 18 maio, ele saiu com algumas mulheres.

Segundo a polícia, Matsunaga era colecionador de armas e, após seu desaparecimento, Elize entregou à Guarda Municipal de Cotia algumas armas que pertenciam a ele para que fossem destruídas. Com a confissão, uma pistola automática 380, idêntica à arma usado no tiro à queima-roupa que atingiu o lado esquerdo da cabeça da vítima, foi apreendida e encaminhada para perícia.

Os peritos que analisaram as partes do corpo dizem que os cortes foram feitos com extrema precisão. A polícia afirma que Elize, que é bacharel em direito, possui curso técnico de enfermagem. Além disso, ela é beneficiária de um seguro de vida feito recentemente pelo executivo, no valor de R$ 600 mil.