Na contramão da reforma administrativa

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Em vez de cortar gastos, Senado vai contratar servidores

O Senado Federal usou dinheiro dos contribuinte para pagar cerca de 500 mil reais por um estudo da Fundação Getúlio Vargas em busca de uma reestruturação da Casa. Os especialistas sugeriram cortes de diretorias e funções comissionadas, além da redução do número de servidores comissionados. Mesmo assim, o mais provável é que sejam criadas novas funções gratificadas.

Ninguém quer cortar na própria carne. O presidente do Sindicato dos Servidores do Legislativo (Sindilegis), Magno Mello, diz que irá à Justiça para garantir não apenas que as Funções Comissionadas continuem incorporadas aos salários, mas também para exigir a absorção de 700 novas funções gratificadas para serem pagas aos concursados que exercem cargos de chefia. Detalhe: cada uma destas novas bonificações pode chegar a 2,4 mil reais por mês, o que geraria um impacto de 100 milhões de reais por ano a folha de pagamento, que hoje é de 2,2  bilhões de reais.

O comando do Senado também desistiu de propor a abertura de um plano de demissão voluntária (PDV) para os funcionários de carreira, sugerida pela FGV. A proposta de reforma administrativa apresentada pela Fundação propõe um corte de mais de 376 milhões de reais no orçamento anual e uma redução de 43% nos 662 cargos de chefia, que envolvem diretorias e assessorias. Os senadores resistem, mas a questão será levada a plenário dentro de alguns dias, por pressão da sociedade.