Na Flórida, representantes da comunidade no Exterior apresentam as suas prioridades

0
445

Na primeira reunião do tipo em todo o mundo, realizada no Centro de Família em Pompano Beach, foco dos debates foi saúde e educação dos imigrantes brasileiros na América do Norte

Pouco mais de um mês após a posse, durante a Conferência do Itamaraty, os integrantes da América do Norte/Caribe do Conselho de Representantes Brasileiros no Exterior já se reuniram com a comunidade para analisar alguns pontos da ata consolidada com as reivindicações apresentadas ao governo federal. O encontro no Centro de Família reuniu mais de 50 pessoas, de 28 instituições brasileiras na América.

Os quatro representantes “Silair Almeida, Fausto Rocha, Rooney Oliveira e Esther Sanchez ” estavam acompanhados, na mesa de trabalho, do cônsul geral do Brasil em Miami, embaixador Luiz Augusto de Araújo Castro, e do cônsul-adjunto Cristiano Rabelo.”Trata-se da primeira reunião de integrantes do Conselho no mundo e mostra a seriedade com que todos nós estamos encarando o compromisso de servirmos como porta-vozes da comunidade”, sintetizou o Pastor Silair, acrescentando que todos os representantes das outras cidades pagaram o traslados do próprio bolso.

A reunião foi dividida em temas: Expansão da rede consular, saúde, assistência aos brasileiros presos e educação. No primeiro assunto, o embaixador destacou que o Itamaraty tem atendido às necessidades de cada região, na medida do possível. “Temos hoje apenas 10 consulados espalhados pelos EUA, mas os itinerantes têm conseguido chegar onde está a comunidade”, disse Araújo Castro.
Com relação à questão da saúde do imigrante, o representante Fausto Rocha lembrou que muitos brasileiros indocumentados têm medo de procurar atendimento médico. “Além disso, os preços cobrados em hospitais são exorbitantes e impeditivos”, enfatizou. O caso do consulado em New York, em que um médico fica de plantão para dar conselhos preventivos ao público, foi apresentado e pode ser adotado nas outras cidades.

Outro tema polêmico é o relativo aos brasileiros presos. Segundo Rooney Oliveira, a comunidade tem reclamado que muitos familiares de imigrantes em processo de deportação ficam muito tempo nos centros de detenção na América devido à enorme burocracia. “Com a rigidez maior da polícia de imigração, o número de nossos conterrâneos detidos tem aumentado muito. Precisamos prestar um auxílio maior a estas famílias e fiscalizar eventuais desrespeitos aos direitos humanos nas prisões”, afirmou Rooney.

A educação dos brasileiros nos EUA é também uma das prioridades, principalmente no tocante ao ensino de português neste país. Por isso, a presença de Esther Sanchez no grupo é fundamental, até porque ela foi convidada a participar da posse da nova presidente Dilma Roussef e teve audiência com o ministro da Educação, Fernando Haddad, durante a visita a Brasília. “Vamos mapear os programas existentes que ensinam o nosso idioma, pensando em ampliar as oportunidades de alfabetização na comunidade”, disse a representante. Ela mencionou que há muitos brasileiros semi-analfabetos por aqui ” jovens e adultos.

Fechando a reunião, Silair Almeida ressaltou o papel fundamental da mídia comunitária em língua portuguesa para disseminar as ações do Conselho. “A imprensa é capaz de unir a comunidade e precisamos disso para conquistar nossos objetivos”, concluiu Silair. O CRBE terá um site nos próximos dias (www.crbeusa.com), com informações úteis e toda a ata consolidada do evento do Itamaraty.