Na França, brasileiros nunca foram tão barrados pela imigração

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Somente em março, 206 voltaram do Aeroporto Charles De Gaulle e turistas reclamam de desrespeito por parte dos agentes

Esta semana, o Brasil celebrou a abertura oficial do Ano da França, que se estende até outubro. No entanto, naquele país europeu, a situação dos imigrantes brasileiros não está nada boa: nunca nossos conterrâneos foram tão barrados nos pontos de entrada franceses, conforme revelam as estatísticas do próprio governo local. Na comparação entre os primeiros bimestres deste ano e do ano passado, o crescimento de brasileiros que não conseguiram nem passar do aeroporto foi de 55%, subindo de 177 para 274. Segundo a diplomacia francesa, a maioria das negações foi por falta de documentação adequada.
Nos últimos três anos, as deportações de brasileiros mais que dobraram – de 285 em 2006, saltaram para 674 em 2008 (135%). A tendência é de alta em 2009. Houve 25% mais deportados que no primeiro bimestre de 2008. Os números mais recentes de barrados no aeroporto também chamam a atenção e têm relação com o temor de que muitos turistas queiram, na verdade, morar ilegalmente no país. O consulado não informou dados de inadmitidos em março de 2008, mas foram 174 em março de 2009, mês de baixa temporada para o turismo no país.
O Consulado Geral do Brasil em Paris diz que os números são ainda mais altos. Só pelos registros da TAM foram 206 em março no Aeroporto Internacional Roissy-Charles de Gaulle – ante 67 de janeiro e 116 de fevereiro. Para se obter o número completo, seria preciso somar os recusados em voos da Air France, que também voa direto do Brasil a Paris.
Mas brasileiros reclamaram ainda do péssimo tratamento recebido nos aeroportos. Uma delas foi a professora universitária Solange França, barrada em Paris na Sexta-feira Santa, porque não apresentou um plano de saúde e reservas em hotel. “Informei que tinha meu cartão de plano de saúde e iria ficar na casa de amigos”, justificou ela, que descreveu o confinamento em uma sala “pouco limpa” e relatou momentos de “medo” pelo “desrespeito” demonstrado pelos agentes. No mesmo voo, outros 16 brasileiros também foram mandados de volta ao país natal.