Nássara Thomé, uma mulher no comando

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A primeira secretária do Consulado de Miami assume interinamente o posto de encarregada

Nassara Thome
Jovem, decidida, e exalando bastante profissionalismo. Com estes predicados, a primeira secretária do Consulado Geral do Brasil em Miami, Nássara Thomé, assumiu em caráter interino o posto de encarregada do Consulado Geral do Brasil em Miami no início de agosto.
Ela permanecerá no posto até a chegada do novo titular, embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, e fala ao AcheiUSA sobre este breve período à frente de um dos mais importantes consulados brasileiros no mundo.

AcheiUSA – Quanto tempo você ocupará o cargo de cônsul interino do Consulado Geral do Brasil em Miami?
Nássara Tomé – Deverei ocupar o cargo de “Acting Consul General”, ou seja, de encarregada do Consulado Geral, por cerca de 30 dias. O embaixador Luiz Augusto de Araújo Castro, partiu no dia 30 de julho, e aguardamos a chegada a Miami do novo cônsul geral, embaixador Hélio Vitor Ramos Filho, no início de setembro.

AU – Neste período, você pretende fazer alguma modificação no sistema de funcionamento ou participar de atividades externas como principal representante do consulado?
NT – O Consulado Geral em Miami manterá todas as suas atividades de atendimento ao público exatamente como antes, no horário tradicional das 10h às 14h. Também buscarei representar o Brasil da melhor maneira possível durante o breve período em que permanecer como encarregada do consulado. É uma grande responsabilidade, da qual muito me orgulho, e espero corresponder às expectativas de nossa comunidade.

AU – Há quanto tempo integra o quadro de diplomatas do Itamaraty? Esta é sua primeira missão diplomática no Exterior?
NT – Ingressei na carreira diplomática em 2005. Antes de vir para Miami, trabalhei em Brasília na Divisão de Imigração (responsável pela concessão de vistos para estrangeiros) e na Divisão de Desarmamento e Tecnologias Sensíveis (onde era responsável por representar o Brasil em negociações internacionais relativas ao banimento de armas químicas e biológicas). Fiz estágio de três meses em nossa Embaixada em Quito, no Equador, mas esta é a primeira vez que venho trabalhar por longo período em uma representação diplomática brasileira no exterior.

AU – Qual é o atual percentual de mulheres que formam o quadro de diplomatas brasileiras? Como mulher, você entende ser isto um sinal de prestígio ou simplesmente apenas mais um degrau na carreira diplomática, independente do sexo do ocupante do cargo?
NT – Eu diria que atualmente temos cerca de 25% de mulheres integrando o quadro de diplomatas do Brasil. Trata-se de uma carreira difícil, independentemente do gênero do diplomata, que requer alguns sacrifícios. Obviamente, há complicadores para quem é do sexo feminino e acaba convivendo com o histórico de machismo vivido no Brasil. A boa notícia é que o machismo tem diminuído e o número de diplomatas mulheres vem aumentando sensivelmente. Estamos ainda muito distantes de ocuparmos metade dos cargos do Ministério das Relações Exteriores, mas há propostas de políticas para incentivar a promoção de mulheres merecedoras e diminuir gradualmente a diferença atualmente existente.
Sinto-me honrada em poder assumir brevemente a encarregatura do Consulado Geral, ao lado de dois excelentes colegas diplomatas (o segundo secretário Cristiano Rabelo, meu esposo, e o terceiro secretário Fernando Arruda, recém-chegado a Miami) e junto a uma equipe verdadeiramente eficiente e dedicada. Temos ótimos funcionários e é motivo de grande satisfação poder contar com eles no atendimento a nossos compatriotas.

AU – Por quanto tempo mais você deve ficar lotada em Miami?
NT – Estou há quase um ano em Miami. Diplomatas costumam ficar de dois anos a três anos em cada posto. Nunca podemos prever os caminhos da carreira diplomática e não posso precisar ao certo quantos anos ficarei aqui, mas gosto muito de nossa comunidade, do trabalho consular e da cidade, e gostaria de desfrutar de tudo isso o máximo de tempo possível.

AU – Por ser casada com outro diplomata de carreira, Criastiano Rabelo, é possível ele ser designado para um posto no Exterior e você para outro? Como fariam num caso deste?
NT – O Ministério das Relações Exteriores adotou há alguns anos política para evitar separar casais, o que contribuiu muito para evitar o afastamento de famílias em que os dois cônjuges são diplomatas. Há atualmente um esforço para que tais separações não aconteçam desnecessariamente. Obviamente, há que se respeitar o interesse da Administração, a legislação e as normas para remoção, e por vezes alguns casais abrem mão de posições mais atraentes para não se afastarem. Eventualmente, é possível que um de nós tenha que pedir licença do cargo por alguns anos, mas nossa intenção é sempre lutar para trabalharmos juntos, ou pelo menos em cidades próximas.