No Equador, o drama dos imigrantes é tema recorrente nas telas de cinema

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Três filmes da safra atual abordam a questão, que atinge três milhões de pessoas do país

A questão imigratória para os equatorianos não é nova, mas passou a ser tema obrigatório em rodas de conversas por lá desde que três filmes lançados recentemente alcançaram tremendo sucesso de bilheteria, justamente tendo como pano de fundo a situação vivida por três milhões de pessoas daquele país mais de 22% da população. Nas telas, os diretores abordam situações vividas por quem tentou viver na Europa ou nos Estados Unidos ou mesmo apenas visitar algum destes lugares.

Este é o caso, por exemplo, de Fernando Mieles, diretor de ‘Prometeu deportado’, que mostra imigrantes barrados em um aeroporto da Espanha, têm seus passaportes confiscados e acabam ‘confinados’ numa sala de espera. Mieles viveu situação semelhante em 1993, quando estava a caminho de Portugal para participar de um workshop de roteiristas e foi deportado. A experiência serviu para adicionar ao seu filme importante elementos. Você percebe que não é uma pessoa, mas sim um número em um passaporte, diz o diretor.

Já ‘Rabia’, de Sebastian Cordero, é um thriller que conta a história de um imigrante latino-americano que trabalha em uma construção na Espanha e mata seu chefe durante uma briga. Com medo, o personagem se esconde na mansão em que sua namorada trabalha como empregada doméstica, sem que ela saiba. O objetivo era retratar como vive um indocumentado, na sombra da sociedade.

O terceiro longa é Zuquillo Express. O diretor Carl West se inspirou numa popular série de TV no país para contar, de forma cômica, a trajetória de quatro imigrantes tentando entrar ilegalmentem na América. Para tanto, os personagens contratam os serviços de ‘coiotes’ para a travessia ilegal. O filme foi lançado dias antes da chacina de 72 indocumentados, entre eles vários equatorianos, perto da fronteira com o México.

O crescimento dos filmes sobre imigrantes no Equador se deve também a incentivos financeiros que a administração do presidente Rafael Correa têm dado à indústria bem como à imigração, através da Secretaria Nacional de Migrantes (Senami). O governo até lançou uma campanha, que recebeu o nome de ‘Somos Todos Imigrantes’, para promover o diálogo sobre o assunto. “O fenômeno da migração é tão profundamente humano que, para melhorar a situação destas pessoas, não podemos abordá-lo somente do ponto de vista político”, disse a diretora da Senami, Lorena Escudero.