No Líbano, Hezbollah está perto de assumir o poder

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Vitória do grupo fundamentalista islâmico apoiado pelo Irã é derrota para os EUA e Israel

A organização paramilitar fundamentalista islâmica Hezbollah pode governar o Líbano. Isso porque o candidato Najib Mikati, apoiado pelo grupo xiita, venceu as eleições para primeiro-ministro do país. Com a maioria dos votos também no parlamento, Mikati, um magnata do ramo das comunicações que estudou nos Estados Unidos, deve ser chamado pelo presidente Michel Suleiman para formar um novo governo de unidade. A notícia não agradou aos sunitas libaneses, que foram às ruas para manifestações contra a manobra política do Hezbollah, que conquistou o apoio de um grupo druso, que tem seis assentos entre os parlamentares. A revolta atingiu seu ápice na terça-feira, chamada de”dia de fúria” por causa dos protestos em todo o país.

A conquista do Hezbollah representa uma derrota para Israel e para os EUA, que consideram o grupo xiita uma organização terrorista, ao mesmo que fortalece o Irã, principal patrocinador do Hezbollah. O poder de fogo da organização é maior do que o das próprias Forças Armadas do Líbano.

O primeiro-ministro interino do Líbano, Saad al Hariri, querido pela maior parte da população, não vai integrar um novo gabinete dominado pelo Hezbollah. No país, o sistema de governo é dividido entre cristãos, sunitas, xiitas e comunidades drusas, mas o poder sempre esteve com os sunitas, como Hariri e Mikati. Mas a ligação com o grupo fundamentalista e a nova composição do parlamento devem provocar ainda mais conflitos na região.