No Morumbi, São Paulo quebra tabus e vence Timão em noite de expulsões

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Tricolor joga melhor, extermina marcas do rival e avança na Copa Libertadores da América

Luis Fabiano chuta para marcar o primeiro gol do São Paulo contra o Corinthians, na Libertadores
Luis Fabiano chuta para marcar o primeiro gol do São Paulo contra o Corinthians, na Libertadores

DA REDAÇÃO (com Lance) – Dia 22 de abril de 2015. No dia em que o Brasil celebra a data de seu descobrimento, o São Paulo celebrou a redescoberta de seu futebol. Foi a noite em que o Morumbi viveu uma epopeia e seu dono saiu do inacreditável para fazer história, vencendo o Corinthians por 2 a 0 e seguindo vivo na Copa Libertadores.

Com o resultado, o Tricolor vai enfrentar o Cruzeiro, bicampeão brasileiro, nas oitavas de final. Já o Timão, que já estava garantido na liderança do grupo, ironicamente acabou “se beneficiando” do placar. Ficou atrás do Internacional na classificação geral, e fugiu do confronto com o Atlético-MG. Vai encarar o Guarani do Paraguai. Este 22 de abril parece mesmo um dia fadado às descobertas.

Antes do jogo, era difícil acreditar na vitória são-paulina. Mas os gols de Luis Fabiano e depois Michel Bastos entraram para a história por findar a invencibilidade de 26 jogos do Corinthians no ano e o tabu do Majestoso no Morumbi: o Tricolor não vencia o rival em casa desde 2007, há 13 jogos.

A supremacia corintiana começou a desmoronar já no início do jogo, com o ímpeto inédito e muito bom do São Paulo, mas descambou mesmo aos 18 minutos. Foi quando o torcedor alvinegro descobriu que o árbitro Sandro Meira Ricci poderia aprontar. Rafael Toloi e Emerson Sheik se enroscaram e, no fim do lance, o corintiano deixou a perna no são-paulino. Pegou, mas veio acompanhada de uma encenação de Toloi e o cartão vermelho para Sheik. Corinthians com um a menos e o torcedor deve ter lembrado na hora que, na véspera do jogo, o presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, pressionou Ricci exibindo um histórico de expulsões dele contra o clube: 10 em 17 jogos, uma do Corinthians em 17 jogos. Ricci ainda apareceria novamente.

O time do São Paulo, muito menos Luis Fabiano, não tinham nada a ver com isso. E o centroavante, aos 31 minutos, mostrou que seu custo-benefício não era bem zero, como Aidar havia dito. Fez um gol de oportunismo, com a marca do Fabuloso, o nono contra o rival. Explodiu o Morumbi, fez justiça ao jogo! Tanto que pouco depois Michel Bastos, incendiado desde o início, ampliou em chute de fora da área, em que Cássio foi estranho para a bola e acabou não alcançando.

Mas a maior delas ficou para o segundo tempo, mais precisamente aos nove minutos. Após uma disputa com Mendoza, Luis Fabiano levou a mão ao rosto e desabou no gramado. Mas as imagens denunciaram a simulação do atacante, que tinha sido atingido no braço. O que fez Sandro Meira Ricci? Deu o segundo amarelo para o são-paulino, expulsando-o, e expulsou Mendoza. O que foi uma injustiça.

A partir daí, virou outro jogo, ainda mais desfavorável ao Corinthians, que já jogava mal e aí que não incomodou Rogério Ceni, grande espectador da partida. Estava morto o time de Tite. E o São Paulo, com a cautela de quem agonizava, levou o jogo no manha para renascer na temporada.

Foi o dia em que os dois times descobriram quão complexo e fantástico é o futebol e quantos ingredientes são capazes de determinar um vencedor.