No topo do mundo

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Jussara Penna

O japonês Yuichiro Miura, de 80 anos, o mais idoso a subir o Monte Everest
O japonês Yuichiro Miura, de 80 anos, o mais idoso a subir o Monte Everest

O Monte Everest, localizado no Nepal, eleva-se a 8.850 metros (29.035 pés) acima do nível do mar, sendo considerado o ponto mais alto da terra. No dia 23 de maio passado, o japonês Yuichiro Miura, de 80 anos, que passou por uma cirurgia cardíaca em janeiro, chegou ao topo dele e se tornou a pessoa mais idosa a chegar lá, batendo o recorde mundial.

O feito de Miura, de 80 anos e depois de ter se submetido a uma cirurgia quatro meses antes, é simplesmente fantástico. Principalmente, quando se leva em conta que uma das consequências da altitude é a diminuição do oxigênio que se respira.

Sabe-se que o corpo humano começa a sofrer acima de 2.800 metros. É a partir daí que surgem os primeiros sinais de aclimatação. Ou seja, a pessoa passa a respirar mais rápido e mais profundamente, na tentativa de colocar mais oxigênio para dentro do corpo; ao mesmo tempo em que tenta melhor distribuí-lo para todas as partes do corpo é quando a frequência cardíaca também aumenta.

Como o Everest é bem mais alto que isso, se alguém saísse diretamente do nível do mar para lá desmaiaria em alguns segundos e morreria em poucos minutos.

Para que a pessoa permaneça em altitude muito elevada por mais de dois ou três dias, ocorre no corpo humano a produção acelerada de hemoglobina, a substância dentro dos glóbulos vermelhos responsável pelo transporte de oxigênio dos pulmões até as células. Como no corpo de uma pessoa existe apenas 30 por cento do oxigênio que necessitaria, considera-se que ela está à beira da morte ou seja, tanto pode estar na UTI de um hospital ou no topo do Monte Everest.

Nem só de falta de oxigênio sofre um homem na alta montanha. Há também o frio intenso. O problema não é apenas a temperatura baixa, que chega a -15° C ou -20° C, mas a sensação térmica provocada pelo vento ou seja, o frio que o corpo está sentindo quando o vento ajuda a tirar calor. Qualquer parte do corpo exposta congela em um minuto.

Portanto, escalar o Everest não é uma experiência agradável e, por isso, é tão difícil. Aproximadamente, quatro mil pessoas subiram a este ponto mais alto do planeta desde quando, em 1953, Edmund Hillary, um alpinista e apicultor da Nova Zelândia e Tenzing Norgay, um sherpa, foram as primeiras pessoas a chegar ao topo. E 300 pessoas morreram ao tentar realizá-lo.

Por isso, alcançar o cume do Evereste é uma enorme conquista. Em 1963, James Whittaker tornou-se o primeiro americano a chegar lá. A japonesa Junko Tabei foi a primeira mulher a fazer isso em 1975 e, em 2001, o também americano Erik Weihenmayer tornou-se a primeira pessoa cega a escalar o Everest.

Esta é a terceira vez que o idoso Miura conquista o Monte. As duas primeiras foram em 2003 e 2008. Nos anos 70, ele chamou a atenção mundial ao se tornar a primeira pessoa a descer o Everest esquiando. O feito foi documentado no filme “The Man Who Skied Down Everest”, que ganhou o Oscar de melhor documentário.

O gosto pela aventura está no sangue da famíia, pois seu pai, Keizo, desceu o Monte Branco, o ponto mais alto da Europa, esquiando, quando tinha 99 anos. Pasmem!

Mas, parece que o japonês Miura vai ter que ficar atento pois, Bahadur Sherchan, recordista anterior, que completa 82 anos em 20 de junho, está novamente no Everest e vai fazer tudo para tirar dele este título. Parece que os idosos gostam de se sentir no topo do mundo!


Jussara Penna é carioca, pesquisadora e jornalista, formada pela PUC-Rio. Especializou-se em Gerontologia Social na UERJ/UNATI. Criou a primeira revista carioca Rio Cidadão Senior e o primeiro site no Brasil para a Terceira idade: www.idademaior.com.br. Atualmente mora na Califórnia.