Nossa beleza latina

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Maria Grosso

Nossa beleza latina

Uma busca no Google pelas palavras “latina women” (mulheres latinas) traz aproximadamente 68.5 milhões de resultados em 0.28 segundos. Contudo, os primeiros resultados da lista trazem sempre fotos de modelos voluptuosas seminuas em poses provocantes. Entre os dez primeiros resultados, nove têm links para páginas ou anúncios que sexualizam o termo “mulheres latinas.” Isto, alarmantemente, indica a percepção geral que há sobre as mulheres latinas nos Estados Unidos, e confirma que estamos crescendo em um ambiente cultural que define beleza como sex appeal.

O problema, como demonstram os resultados de uma pesquisa da universidade de Princeton sobre a atividade neurológica dos homens ao verem fotos de mulheres com diferentes quantidades de roupa, é a objetivação. A pesquisa concluiu que quanto menos roupas na foto mais se registrava a atividade de regiões do cérebro associadas ao reconhecimento de objetos, e não pessoas, efetivamente desumanizando a mulher durante a interação.

Mas, por que continuamos aceitando padrões de beleza e comportamento que nos degradam? Porque nos venderam a ideia de que isso faz parte da cultura de ser mulher.

Só de olhar os programas de televisão não fica difícil entender como estes estereótipos passaram a se tornar uma norma. Todos os programas das maiores redes de conteúdo em espanhol estão cheios de personagens femininas débeis, caprichosas, e incapazes de se auto-sustentarem por outros meios que não a servidão e o sexo, casos que estão longe de revelar uma conduta exemplar. Além disso, o aumento na popularidade da cultura urbana também tem contribuído para esta sensualização das mulheres. Ainda que esse subgênero tenha sempre existido, atualmente os valores provocativos que promove são cada vez mais aceitos como padrões de beleza e valor.

Ao mesmo tempo, enquanto a indústria de produtos de beleza fatura mais de $65 bilhões de dólares por ano, ela depende da baixa autoestima para criar um ciclo comercial que lhe assegure consumidores. Um estudo da Universidade de Wisconsin revelou que as representações distorcidas da realidade mostradas nas revistas resultam num aumento de 80% na baixa autoestima das mulheres entre 18 e 26 anos.

Estes são os sintomas de um câncer em nossa sociedade, que devemos erradicar para assegurar os avanços. A beleza deveria ser definida como uma qualidade possuída por todos os humanos, e enfatizada por outras qualidades não-materiais, como o caráter.

Temos capacidade para mudar os resultados do buscador mais importante da internet, e de sermos reconhecidas como as mulheres mais belas do mundo por nosso intelecto, criatividade, ética de trabalho e grande autoestima – e não só por causa de nossa beleza exterior.