Nova estratégia para Iraque gera oposição do Congresso dos EUA

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Em aparente indiferença aos democratas no Congresso americano, que defendem a retirada das tropas dos Estados Unidos do Iraque o mais rápido possível, o presidente George W. Bush informou nesta quarta-feira que pretende enviar mais 21.500 soldados para o país árabe. O envio faz parte da nova estratégia preparada para o país, que Bush divulga hoje às 21h em Washington (24h pelo horário de Brasília).

Bush admitiu hoje pela primeira vez que errou em não ordenar o aumento das tropas no Iraque em 2006. Ao optar pelo envio dos soldados em 2007 Bush terá de enfrentar a oposição ferrenha dos legisladores democratas, maioria no Congresso pela primeira vez em 12 anos.

O presidente anunciará oficialmente a nova estratégia para o Iraque, que inclui pontos militares, econômicos e políticos, na noite desta quarta-feira em um discurso na Casa Branca. Antes disso, no entanto, ele já afirmou “retroceder agora seria forçar o colapso do governo iraquiano”. “Um cenário como este obrigaria nossas tropas a permanecerem no Iraque por um tempo ainda maior, e confrontarem um inimigo ainda mais letal.”

“Se aumentarmos nosso apoio neste momento crucial e ajudarmos os iraquianos a quebrarem o atual ciclo de violência, poderemos apressar a volta de nossas tropas para casa”, acrescentou.

Oposição Democrata

Os novos líderes democratas do Congresso se encontraram com Bush antes de seu discurso de hoje e reclamaram que sua oposição ao envio de mais tropas foi ignorada. “Esta é a terceira vez que escolhemos este caminho. Nas duas vezes anteriores, não funcionou”, alertou a líder da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi. “Porque estamos fazendo isso agora? A pergunta permanece”, disse Pelosi.

Os legisladores democratas estão tentando organizar, tanto na Câmara quanto no Senado, votos para pedir ao presidente que não envie mais tropas ao Iraque. Apesar de não ter força legal, os votos obrigarão os republicanos a optar entre retirar o apoio ao presidente ou apoiar o envio de americanos à guerra. Até o momento, vário republicanos já expressaram simpatia pela medida democrata.

Depois de quase quatro anos de combate no Iraque, o discurso de hoje pode ser a última chance de Bush de apresentar uma estratégia crível para vencer a guerra e persuadir os americanos a o apoiarem.

Até agora, mais de 3.000 membros das forças americanas já morreram no Iraque desde o início da ofensiva, em 2003. O número é bem menor do que o das vítimas civis iraquianas –só em 2006, cerca de 16 mil morreram, segundo estimativas baseadas em números do Ministério do Interior do Iraque.

A guerra já custou aos EUA, além do desgastes, mais de US$ 400 bilhões. O bloqueio de mais verba é mais um trunfo que está sendo estudado pelos democratas no Congresso para barrar o aumento das tropas no Iraque.

Responsabilidades

Bush descreveu seu plano –que combina esforços para incrementar a economia iraquiana, melhorar a oferta de serviços e fazer a “limpeza” de bairros violentos– como um mapa para mudar o curso da guerra e “ajudar os EUA a serem bem-sucedidos na luta contra o terror”.

Do ponto de vista militar, o plano não representa, segundo o presidente, uma grande mudança. Mesmo com o envio de mais tropas, a responsabilidade de coibir a violência continuará sendo dos iraquianos. “Apenas os iraquianos pode pôr um fim à violência sectária e promover a segurança das pessoas”, disse Bush. “E seu governo tem um plano agressivo para conseguir isso.”

Bush apresentou o conflito no Iraque como “a luta ideológica definitiva de nossa época”. “A longo prazo, a forma mais realista de proteger os americanos é prover uma alternativa para a ideologia do ódio do inimigo, por meio do avanço da liberdade em uma região problemática.”