Nova Iorque é aquela cidade perto do outlet?

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Evandro Barreto

O Brasil entrou em recessão, a produção industrial continua caindo, a economia nos acorda todas as manhãs com más notícias. No entanto, jamais os brasileiros viajaram tanto e gastaram tanto no exterior como agora.O que me faz pensar que o item de exportação mais bem-sucedido do país tem sido o consumo.

Se eu pedir explicações aos economistas, políticos ou empresários, acho que continuarei sem entender. Todos ele têm ótimos argumentos para justificar o que dá errado e poucos propostas que possam dar certo. Na dúvida, resolvi ouvir o outro lado, ou seja, o consumidor de exportação.

Maria dos Santos, dono da casa da nova classe média: “No Brasil está tudo muito caro. Com o dinheiro que eu economizei comprando em Nova Jersey o enxoval dos gêmeos que vêm aí, e mais uma coisinhas para revender às amigas, deu para pagar o passeio e ainda comprar um tênis de griffe para o marido”.

Antonio Oliveira, vendedor de automóveis: “Nos últimos anos, com todas aquelas facilidades para o comprador, vendi um montão de carros novos e torrei a grana viajando pelo Brasil. Agora que o anabolizante de veículos perdeu efeito e a fonte secou, vou é pra Miami, que sai muito mais barato”.

Simples assim. O chamado custo Brasil jogou o país lá para baixo, em termos de competitividade. Temos um dos litorais mais extensos do planeta, mas não temos navios de cabotagem para levar mercadorias ao mercado interno por um custo razoável. Trens, só para minérios e grãos de exportação, aqui e ali. Exportamos petróleo e importamos gasolina. Pagamos impostos como na Europa e recebemos serviços como em Bangladesh. Levamos meses para abrir uma empresa e anos para conseguir fechá-la. Falta mão de obra qualificada, da gestão ao pós-venda. Pagamos juros altos demais, porque os governos gastam mal e demais.

Chega! Este texto me estressou. Estou fazendo as malas para relaxar em Key West.