O drama das caixa perdidas

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Espertalhões pegam dinheiro de clientes mas não entregam caixas no
Brasil lesando centenas de pessoas

Parece a reprise de um filme de terror e suspense, mas infelizmente é real. Mais uma vez companhias de entrega de caixas acabam aplicando golpes em brasileiros crédulos que pagaram pelo transporte de mercadorias e objetos para o Brasil e receberam em troca muita dor de cabeça e o sumiço de seus pertences, por terem confiado nos administradores da Adonai e Express Moving.

O autor da denúncia contra a Adonai é o argentino Antonio Galvan, um dos sócios-fundadores da empresa, que começou a funcionar em dezembro de 2006, em Marietta, na Geórgia. Ele deixou a empresa no dia 1º de agosto de 2007, tendo vendido sua parte para o então sócio Paulo Pepe Bezerra de Araújo. No entanto, em vez de receber o pagamento, Galvan ficou com o chamado “mico”na mão. Os pagamentos das parcelas escassearam e ele se diz “a primeira vítima da quadrilha encabeçada por Paulo Pepe e Moacir Santana, que mais tarde fundou a Express Moving”.

Empenhado

Aliás, Galvan está empenhado em resolver este impasse que tem deixado muita gente na mão, conforme demonstrou o programa Fantástico, da TV Globo, no domingo passado, ao relatar os dramas de algumas famílias lesadas. Ele esteve no Brasil neste final de semana para registrar um boletim de ocorrência numa delegacia de polícia da cidade de Bragança Paulista,onde afirmou que sua esposa, Carmen Lucia Moreira Calheiros de Galvan, teve a assinatura falsificada na qual ela deixa a Trackingbox Mudanças e Transportes Ltda (sim, leitor, é outra empresa de mu O drama das caixa perdidas Espertalhões pegam dinheiro de clientes mas não entregam caixas no Brasil lesando centenas de pessoas danças), onde era sócia de Moacir Santana da Silva Junior. Depois de excluída da sociedade – algo que, segundo Galvan, ela nem tinha conhecimento -, Moacir admitiu Stefferson Moura de Oliveira, cunhado do próprio Moacir, como sócio de uma nova companhia, a MSLS Mudanças e Transportes Ltda.

O argentino ressalta que, além de terem excluído Carmen da empresa, sua esposa nunca assinou nenhuma documentação solicitando seu desligamento, daí a suspeita de ter havido uma falsificação da assinatura de Carmen.

Conselhos de Galvan

Galvan , que investiu cerca de 80 mil dólares para participar da abertura da companhia, acredita que o rombo da Adonai e da Express Moving esteja em torno dos três milhões de dólares, “e eles continuam aplicando golpes mesmo com a avalanche de denúncias”.

De acordo com o levantamento feito por Galvan, há 53 contêineres retidos no porto de Santos sob a responsabilidade da Plancoex Assessoria Aduaneira Ltda., que tem como responsável a Sra. Marcia Direito. A mulher, porém, não assumiu a responsabilidade pela liberação dos contêineres. E ninguém sabe ao certo quantos contêineres ainda se encontram em alto mar, o que pode aumentar este total. A distribuição deveria estar sendo feita pela Trackingbox Mudanças e Transportes Ltda. (aquela que expeliu Carmen Galvan da sociedade), com sede na cidade de Campinas, em São Paulo, que tem como administrador Stefferson Oliveira ou Junior.

“Por todos estes motivos, recomendo que ninguém pague mais nada”, afirma resoluto Galvan. “Porque senão a pessoa é lesada duplamente”. Ele explica como se dá o golpe: “O cliente está desesperado porque quer liberar suas mercadorias e, aí, surge alguém – geralmente da Plancoex – dizendo que basta dar cem reais para resolver o problema. E a pessoa se torna vítima duas vezes”, alerta o empresário.
O mesmo ocorreu em território americano,com a Express Moving assumindo as operações da Adonai. Fato desmentido posteriormente por Moacir Santana, que negou ter ficado com a responsabilidade de despachar os contêineres que haviam sido comercializados pela Adonai.

“Mais uma vez, o cliente é lesado duas vezes”, acusa Galvan, que sugere ainda que o IRS (Serviço de Imposto de Renda dos EUA) investigue as contas pessoais dos envolvidos nestes episódios, “inclusive Paulo Ricardo, sobrinho de Paulo Pepe, que estava em Atlanta”. Ele próprio levantou as vidas pregressas de Paulo Pepe e Moacir Santana nos órgãos judiciais e comerciais do Brasil e constatou que seus nomes não se encontram na lista das pessoas mais idôneas do país.

De todo este “imbroglio”, o conselho que resta é o seguinte: antes de mandar alguma mercadoria para o Brasil, certifique-se de que a empresa já esteja atuando há algum tempo no mercado e prestando bons serviços. No caso de mandar por uma empresa nova, vale a pena conferir quem são as pessoas que estão à frente do negócio. Não há como ter certeza de que você se torne mais uma vítima, mas pelo menos é a maneira mais correta de diminuir os riscos.