O tempo é imimigo da reforma imigratória

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Agenda apertada, temas urgentes e oposição republicana fazem com que a reforma imigratória possa ficar para o ano que vem

DA REDAÇÃO – A tão esperada reforma imigratória que legalizaria milhões de imigrantes indocumentados vivendo nos EUA dificilmente passará ainda este ano, graças ao tempo curto que o Congresso terá para debater vários outros temas pertinentes e prioritários de sua agenda. Isso já era uma realidade antes mesmo da crise na Síria aterrissar no plenário e roubar a atenção dos parlamentares de vez.

De acordo com sua agenda de atividades, o Congresso terá somente nove dias de trabalho em setembro, oito dias em novembro e oito em dezembro. Até agora, a Câmara debateu somente a respeito de pequenos detalhes da proposta de legislação imigratória já aprovada no Senado, mas não tratou de nenhum dos temas mais delicados da questão, como por exemplo o sonhado caminho para a cidadania.

A curto prazo, as atenções estarão todas voltadas para a crise na Síria, e ambos os líderes, democrata e republicano, Nancy Pelosi e John Boehner, enfrentam um plenário dividido sobre a necessidade de uma intervenção militar americana naquele país, como resposta ao ataque com armas químicas que matou centenas de civis no mês passado, atribuído ao líder sírio Bashar al-Assad.

Mas, mesmo depois de superado esse debate as dificuldades continuam. Em meados de outubro, o teto da dívida americana será atingido e o Congresso terá de atuar para que o país não entre em uma desastrosa inadimplência. Antes disso, o Congresso terá de aprovar um projeto temporário de orçamento, para evitar uma paralisação geral na administração no final de setembro, uma ação que os republicanos se recusam a tomar a não ser que o presidente Obama aceite adiar a implantação da nova legislação de saúde do governo, o Obamacare.

A batalha partidária que se aproxima, espremida numa agenda apertada, faz com que seja difícil a Casa chegar a um consenso no que diz respeito à imigração. Mesmo que haja tempo para tal, o tema ainda sofre com a oposição dos republicanos ao projeto de reforma já aprovado no Senado, que eles consideram “liberal demais”

O início do ano que vem parece ser a época mais propícia para que o assunto volte ao debate. Mas os defensores da reforma alegam que o calendário político pode também ser um obstáculo no próximo ano, uma vez que 2014 é um ano eleitoral e isso pode inflexibilizar as posições dos parlamentares, que não vão querer tratar de temas polêmicos para não abalar a sua base eleitoral.

“É muito importante agir antes do final do ano”, disse o senador John McCain, do Arizona, um dos responsáveis pela elaboração do projeto de reforma aprovado no Senado este ano.

O deputado republicano Mario Diaz-Balart, que trabalha num projeto bipartidário na Câmara, concorda com o senador: “O tempo é nosso inimigo”, disse ele à NBC Latino na terça (3). “Se não conseguirmos um acordo este ano, tudo vai ficar mais difícil”, completou. O deputado republicano Bob Goodlatte, que lidera o Comitê Judiciário da Câmara que trata de política imigratória, deixou entender recentemente que o GOP (Partido Republicano) pode apresentar um projeto próprio para estabelecer a posição do partido e deixar a redação final consensual para depois das eleições.

Isso é tudo que os defensores da reforma não querem ouvir. A esperança é de que haja uma pressão política ativa o suficiente para forçar o Congresso a agir. “Todos esses obstáculos que estão sendo colocados no caminho da reforma são um pretexto para os republicanos fugirem do assunto”, disse Frank Sharry, presidente do America’s Voice, um grupo defensor da reforma imigratória, na semana passada. “Eles não têm saída. Ou votam o projeto ou ficarão com o estigma de o terem bloqueado”, disse ainda Sharry.