Obama é cada vez mais pressionado por ativistas

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Manifestantes exigem que presidente acabe com as deportações que dividem famílias

DA REDAÇÃO com Miami Herald – Por pouco Daniela Pelaez não virou mais um número rumo aos dois milhões de deportações no governo Obama. Há dois anos, a moradora de Miami conseguiu atrair atenção para o seu caso, conseguiu uma adiamento na Justiça e agora estuda na Faculdade de Dartmouth, atrás do seu sonho de se tornar médica. Mas a sensação desconfortável voltou a assombrá-la.

“Não consigo me concentrar nos estudos, a preocupação acaba comigo”, disse a estudante de 20 anos, que chegou aos EUA com os pais ainda criança. O tempo de permanência estabelecido no adiamento expirou no mês passado e agora ela tenta uma extensão. A oportunidade de ter a residência permanente, sonho dela e de tantos outros milhões, continua emperrada no Congresso.
“Vivemos no limbo”, disse Daniela numa entrevista recente.

Forças contrárias continuam em debate em Washington, onde os defensores dos imigrantes começam a voltar suas baterias para o presidente Obama. “Nenhum mais! Nenhum mais!” (not one more) vociferava um grupo em frente à Casa Branca na terça-feira (8). Alguns carregavam cartazes com a frase ‘Deportador-Chefe’.

Além dos cartazes, eles levavam fotos de parentes que foram deportados ou detidos, e acusavam Obama de traição por não ter feito a refirma imigratória, promessa de campanha desde 2008.

“Foi assim que ele conseguiu os votos dos latinos”, disse Cynthia Diaz, 18 anos, do Arizona, que segurava um cartaz onde se lia ‘sinto falta da minha mãe’. A mãe de Cynthia foi deportada para o México em 2011 depois de capturada – ainda de pijamas — numa blitz do ICE.
Cynthia é cidadã americana, e estava entre vários manifestantes que disseram que iam começar uma greve de fome para aumentar a pressão sobre Obama a fim de que ele libere parentes presos. Eles também exigem que Obama expanda o programa Deferred Action for Childhood Arrivals, que começou no verão de 2012 e que permitia a filhos de imigrantes ilegais que obtivessem legalização temporária.
Mais de 600 mil pessoas foram beneficiadas com o programa, mas muitos terão de renovar o benefício no final deste ano. A esperança era de que o Congresso aprovasse uma reforma imigratória nesse período, mas o assunto empacou na Câmara depois de ter passado pelo Senado em junho de 2013.

Os líderes republicanos na Câmara (House of Representatives) rejeitaram a lei aprovada no Senado, com o argumento de que prefeririam uma abordagem passo-a-passo, com ênfase na segurança nas fronteiras. Ainda que haja um apoio em geral para a concessão de um status legal, ou mesmo a cidadania, para imigrantes trazidos ainda crianças para os Estados Unidos, há um significativo descaordo com relação ao resto dos imigrantes.

Sob esse cenário, os aliados de Obama acabaram virando seus opositores. Com o aumento da pressão, duas semanas atrás Obama pediu para Jeh Johnson, secretário de Segurança Nacional (Homeland Security), rever a política de deportações do governo.

Mas Obama ainda reluta em parar com as deportações, com o arguemento de que isso seria ilegal e ainda poderia piorar mais a situação da reforma no Capitólio. Obama também reluta em ampliar o programa de Deferred Action.

“Discordo com o presidente neste caso. Há várias coisas que podem ser feitas”, disse o deputado Joe Garcia (D-Miami), na terça (8). Ele tinha acabado de se reunir com Francisco Diaz, um imigrante indocumentado que mora em Homestead e que foi até Washington de bicicleta para entregar uma carta ao presidente, pedindo o fim das deportações.

Os ativistas ganharam nesta semana mais munição para os seus argumentos, na forma de uma reportagem do The New York Times, revelando que dois terços das quase 2 milhões dos casos de deportações no governo Obama envolvem delitos leves, como infrações de trânsito.

A Casa Branca segue dizendo que o foco está nos criminosos perigosos.

O caso de Daniela é o mesmo da maioria. Ela chegou nos Estados Unidos aos 4 anos de idade, junto com os pais, que estouraram o período de permanência autorizada pelo seu visto de visitante. Mas, cerca de 40% das pessoas morando aqui ilegalmente entraram no país sem qualquer tipo de visto.

Danuela for colocada em processo de deportação em 2008, e no começo de 2012 um juiz ordenou que ela e a irmã fossem deportadas, revoltando a comunidade. Os colegas de escola na North Miami Senior High fizeram um protesto contra a decisão e políticos abraçaram a causa.

Veio então o adiamento por dois anos. (Obama depois regularizaria a medida como um procedimento legal no caso de jovens imigrantes). Daniela, que agora apela para o programa de Obama, disse que tem diferentes impressões a respeito do presidente.