Obama garante reforma imigratória

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Candidato promete encontrar maneira de legalizar indocumentados

Pode ter sido uma daquelas promessas feitas no calor da campanha, mas o fato é que o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, garantiu que fará da reforma da imigração a principal prioridade de seu eventual governo. Participando do encontro anual do Conselho Nacional La Raza – ou seja, para uma platéia de mais de duas mil pessoas, na maioria de origem latina – o senador foi mais longe e ressaltou que vai criar um meio para que 12 milhões de imigrantes em situação irregular no país consigam “sair das sombras” e conquistar a cidadania.

“Sim, eles violaram a lei, e não podemos perdoar isso. Devemos exigir que eles paguem uma multa, aprendam inglês e entrem no fim da fila em busca da cidadania – atrás daqueles que vieram para cá legalmente”, afirmou Obama, acrescentando que o país não pode – e não deve – deportar tanta gente. “Isso transformaria os Estados Unidos em algo que não somos, em algo que não queremos ser”.

O discurso de Obama foi feito no momento em que ele e o indicado do Partido Republicano, John McCain, aumentam a corte aos eleitores latinos. McCain também discursou durante o encontro da La Raza, que aconteceu em San Diego, Califórnia. As pesquisas mostram que a maioria dos eleitores latinos têm preferência pelo democrata. Segundo uma sondagem da Gallup, Obama está à frente de McCain por 59% a 29% entre eleitores de origem hispânica registrados.

“Que ninguém se engane quanto a isso: a comunidade latina tem esta eleição nas suas mãos”, admitiu Obama, lembrando que algumas das apurações mais disputadas em novembro serão em estados como Flórida, Colorado, Nevada e Novo México, onde existem grandes populações de latinos. Obama lembrou que há quatro anos, 40 mil latinos registrados no Novo México não votaram e John Kerry, o então candidato democrata, perdeu naquele estado por seis mil votos. “Eu sei o quanto essa comunidade é poderosa, e para dizer a verdade, o senador McCain também sabe”, cortejou o senador.

Obama também fez mira na postura de McCain sobre imigração, dizendo que o senador pelo Arizona propôs a reforma da imigração, mas depois disse que iria votar contra ela, na época em que estava tentando conquistar os conservadores durante a primária republicana. “Bem, não sei quanto a vocês, mas eu acredito que está na hora de termos um presidente que não evite uma reforma tão importante e abrangente, quando esta se torna politicamente impopular”, declarou o democrata.

Em San Diego, que divide fronteira com o México, imigração e fronteiras são sempre questões polêmicas. Por isso, Obama tentou enfatizar suas similaridades com o grupo hispânico de defesa dos direitos civis e enfatizou que seu pai era um imigrante, do Quênia. E não deixou de lado a questão da deportação: “O sistema não está funcionando quando 12 milhões de pessoas vivem às escondidas, quando comunidades são aterrorizadas pelas batidas da imigração, quando mães são afastadas de seus bebês, quando crianças voltam da escola e descobrem que seus pais estão desaparecidos, quando as pessoas são detidas sem acesso a aconselhamento legal”, concluiu.

O discurso de Obama foi muito aplaudido, mas alguns ativistas acentuaram que ele fez muitas promessas, mas não apresentou sugestões concretas. Por sua vez, o candidato republicano John McCain tampouco apresentou alternativas para a situação dos imigrantes nos EUA e se preocupou mais em se defender das acusações de que teria adotado uma postura mais severa em relação aos indocumentados por motivos políticos.

McCain ressaltou que aquela não era sua primeira exposição aos membros do La Raza: “Me orgulho de ter, durante todos estes anos, participado de várias reuniões com os grupos de origem latina em busca de práticas para incluí-los em nossa sociedade”, disse. Ele fez questão de lembrar que apresentou um projeto de reforma imigratória, que acabou não sendo aprovado no Senado, e confirmou que pretende, em um eventual governo, retomar esta luta. Mas também enfatizou que quer ver as fronteiras seguras antes.
Um dos momentos mais emocionantes foi quando McCain leu uma lista com centenas de nomes de imigrantes ilegais que morrem a cada ano tentando cruzar a fronteira entre México e EUA. “Maria Hernández Pérez era a número 93. Tinha quase dois anos. Tinha cabelo castanho espesso e olhos cor de chocolate”, disse o senador. Ficou claro que sua intenção era atingir o eleitorado latino, sem contudo se esquecer dos conservadores.

Dizendo-se um defensor do Nafta (o tratado de livre comércio entre as Américas), McCain aproveitou para dar uma alfinetada em Obama, ressaltando sua pouca experiência em política internacional: “Eu espero que o senador possa visitar, pela primeira vez, os outros países do nosso continente”.