Obama insiste na reforma imigratória em discurso sobre o Estado da União

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Obama faz um chamado sério sobre a reforma imigratória e quer aprová-la este ano porque isto ajudará a economia


Presidente Barack Obama convocou republicanos a aprovar uma reforma abrangente

Con menos citações do que no ano passado e de maneira breve, o presidente Barack Obama insistiu na terça-feira (28), durante seu quinto discurso sobre o Estado da União, que a Câmara de Deputados aprove uma reforma imigratória que legalize os 11 milhões de indocumentados que vivem no país.

Perante senadores e deputados, o gabinete no plenário, os integrantes da Corte Suprema de Justiça, o corpo diplomático e convidados especiais, Obama dedicou algumas palavras para tratar o tema dos indocumentados ressaltando primeiro os êxitos conseguidos por sua administração e depois indicando que, “se falamos com seriedade sobre crescimento econômico, é hora de responder ao chamamento de nossos líderes empresariais, líderes trabalhistas, líderes espirituais e de cumprimento da ordem pública, e arrumar nosso sistema de imigração que não funciona”.

“Os republicanos e os democratas no Senado se mobilizaram. Sei que os membros de ambos partidos na Câmara de Deputados querem fazer o mesmo. Os economistas independentes dizem que a reforma imigratória ajudará nosssa economia a crescer e reduzirá nosso déficit em quase $1 bilhão nas próximas duas décadas”, acrescentou.

Obama disse também que “quando as pessoas vem para cá tornar realidade seus sonhos (estudar, inventar e contribuir com nossa cultura) fazem com que nosso país seja um lugar mais atrativo para as empresas para encontrar e criar trabalhos para todos. Que consigamos este ano aprovar uma reforma imigratória”.

Reforma abrangente

Obama pede ao Congresso uma reforma imigratória ampla que conceda os benefícios aos 11 milhões de indocumentados que vivem no país.

O debate da reforma imigratória parou na Câmara de Deputados no final de junho, depois de o Senado ter aprovado o plano S. 744 que inclui um caminho para a cidadania aos indocumentados que estão no país desde antes de 31 de dezembro de 2011 e não tenham antecedentes criminais.

A liderança republicana havia advertido que não debateria o plano do Senado e discutiria uma versão por partes com ênfase na segurança da fronteira.

Obama pediu em várias ocasiões à liderança republicana da Câmara, encabeçada pelo presidente do Congresso, John Boehner (Ohio), que envie ao plenário o projeto HR 15 entregue por um grupo de democratas no começo de outubro e que se baseia no plano do Senado com alterações em uma dura emenda de segurança.
O projeto, que conta com apoio bipartidário, tem os 218 votos necessários para que passe na Câmara, mas uma regra republicana (Hastert) vigente exige que só podem ser enviados ao plenário aqueles projetos que tenham o respaldo da maioria da maioria (118 dos 234 votos republicanos).

O HR 15 conta com pelo menos 195 votos democratas e entre 30 e 40 apoios republicanos, mas o número não atende à exigência da regra Hastert.

Um dia antes do relatório, o movimento Fast and Families, que entre novembro e dezembro fez uma greve de fome em uma tenda instalada na esplanada do Congresso, anunciou o início de uma nova jornada de jejuns, desta vez em duas fases que cobrirão 100 distritos eleitorais.
As manifestações têm como objetivo pressionar os republicanos em seus territórios para convencê-los que debatam e aprovem uma reforma imigratória com cidadania. Também pedem a Obama que pare as deportações.
Separação de famílias

Durante a primeira administração de Obama (2009-2012) o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) deportou mais de 1.5 milhão de indocumentados, uma média de 400 mil por ano. Deles, mais de 40 por cento não tinham antecedentes criminais.
Organizações que defendem os direitos dos imigrantes insistem que entre seis e sete de cada deportado não tinham antecedentes que representassem uma ameaça para a segurança nacional e qualificavam-se para legalizar suas permanências com um plano de reforma como o aprovado pelo Senado em junho.

No ano fiscal 2013, o ICE deportou 388,644 imigrantes e 40 por cento destes não tinham registro criminal.
O governo de Obama destaca que as deportações pararão quando o Congresso aprovar uma reforma imigratória abrangente.