Obama não vai parar com a deportação dos indocumentados

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Medida seria difícil de defender com argumentos jurídicos, disse o presidente

O presidente Barack Obama rechaçou nesta terça-feira (17) a possibilidade de seu governo suspender as deportações de indocumentados maiores de 30 anos e afirmou que seria “muito difícil de defender” a medida com argumentos jurídicos.

“Se começarmos a expandir isto, então essencialmente, eu estaria sendo omisso com a lei de uma maneira que seria muito difícil de defender com argumentos legais. Portanto, isto não é uma opção”, disse Obama em entrevista concedida a uma rede de televisão americana.

O governo anunciou em junho de 2012 um programa para suspender as deportações de imigrantes sem papéis, menores de 30 anos que atenderam alguns requisitos, para estes jovens que foram favorecidos com o programa de “deferred action”, também conhecido como “Dreamers”.

Obama expressou preocupação porque alguns ativistas que impulsionam a aprovação de uma reforma imigratória começam a desanimar-se e a esperar que ele emita uma medida administrativa de benefícios imigratórios para remediar isto.

“Há um caminho para conseguir isto, e é através do Congresso. E, neste momento, todo mundo deveria estar concentrado em assegurar que o projeto de lei aprovado pelo Senado chegue ao plenário da Câmara de Deputados”, ressaltou o mandatário.

A organização Dream Act Coalition, que agrupa vários Dreamers, convocou uma conferência telefônica na qual seus dirigentes anunciaram que seus esforços para obter uma reforma imigratória será concentrado em pressionar Obama para que emita outra medida administrativa.

Mais deportações com Obama do que com Bush

Entre 2008 e 2012, as deportações subiram até ficar pouco abaixo das 400 mil anuais, o dobro das 200 mil registradas em 2007, o número mais alto durante os dois períodos do presidente George W. Bush.

O Congresso mantém no limbo a reforma imigratória, pois a maioria republicana na Câmara Baixa mostrou-se reticente para debater o projeto de lei aprovado pelo Senado em junho, que concede aos imigrantes sem papéis a opção da naturalização.

A comissão judiciária da Câmara Baixa aprovou em julho cinco projetos de lei em áreas imigratórias, todos de cunho restritivo para a imigração ilegal.

A agenda legislativa que recebeu os congressistas após seu recesso de cinco semanas está ocupada com outros assuntos complicados como o debate sobre o financiamento do governo federal e a dúvida pública.

Obama assegurou que o único obstáculo da reforma imigratória é o presidente da Câmara Baixa, o republicano por Ohio John Boehner “porque temos uma maioria de congressistas, democratas e republicanos, na Câmara Baixa, que votariam a favor neste momento de ter a oportunidade. Assim esta é uma pergunta que realmente deveria ser feita ao senhor John Boehner: O que o impede de submeter à votação este projeto de lei?”

Boehner reiterou que não levará ao plenário da Câmara o projeto de lei aprovado pelo Senado porque não conta com o apoio dos 233 membros de sua bancada.

O porta-voz de Boehner, Brendan Buck, respondeu a Obama que “para que a reforma imigratória funcione, é essencial que tenhamos a confiança do povo americano de que seja feita da maneira correta. Isto significa um enfoque passo a passo, não outro projeto de lei extenso como o da reforma da saúde, que as pessoas não entendem”.

Esta semana, os chamados Dreamers sofreram outro revés no Arizona, onde foi anunciado que as carteiras de motorista serão negadas aos imigrantes amparados pelo Governo Federal com a lei da “deferred action”, de acordo com a agência Efe.