Obama pede para aumentar a pressão sobre os republicanos para que se aprove a reforma

0
946

Em discurso diante de deputados democratas, presidente diz que uma votação em 2014 é possível.

O presidente Barack Obama pediu no final de semana aos latinos e ao seu partido “colocar pressão” sobre os legisladores republicanos para que seja aprovada uma reforma imigratória.

“Creio que será aprovada antes que termine minha presidência. Gostaria que fosse feita este ano”, disse o governante durante uma entrevista de rádio para o programa texano The Raúl Brindis Show, transmitido pela rede Univisión.

O mandatário disse ainda que gostaria de ver a reforma imigratória ser aprovada em 2014 e comentou que os dois senadores do Texas, os republicanos Ted Cruz e John Cornyn, não apóiam a versão do Senado 744 aprovada em junho que inclui caminho à cidadania para imigrantes indocumentados.

“É importante enviar-lhes uma mensagem de que fazer a reforma imigratória é o correto, e de fato melhorará a economia e dará uma oportunidade às pessoas”, enfatizou o presidente.

Pouco antes de o Senado aprovar o plano S. 744, a liderança da Câmara dos Deputados disse que não debateria uma versão integral, que analisaria uma versão própria e que faria isto por partes, sem que nenhuma delas garantisse a cidadania para os sem papéis.

A lista de princípios

Sete meses depois da aprovação do projeto do Senado, a reforma imigratória continua parada na Câmara. No final de janeiro, a liderança da Câmara, encabeçada por John Boehner (Ohio), divulgou uma lista de princípios da reforma imigratória que inclui um duro caminho de legalização para milhões de indocumentados, mas não estipula data para a apresentação de um plano para o plenário da Câmara.

A lista também advertiu que os republicanos não levarão ao Comitê de Conferência o projeto do Senado e que a Câmara debaterá uma reforma imigratória por partes, com ênfase na segurança da fronteira.

Uma semana depois, Boehner duvidou da discussão de um projeto no decorrrer de 2014.

A ideia de Schumer

Em resposta à postura republicana, o senador democrata de Nova York, Charles Schumer, afirmou que poderia utilizar uma tática parlamentar inusitada para forçar um voto sobre imigração na Câmara dos Deputados este ano.

A tática, conhecida como “solicitação de saída” (“discharge petition”), permite relevar a liderança cameral e apresentar um projeto ao plenário. A última vez que isto foi usado ocorreu em 2012 para aprovar a reforma do financiamento das campanhas políticas.

O plano, no entanto, requer o apoio de todos os votos democratas na Câmara (201) mais o respaldo de 17 republicanos para conseguir os 218 votos mínimos necessários para aprovar a reforma imigratória no plenário.

Analistas legislativos consideram improvável que este procedimento possa ser executado.

Durante a entrevista, Obama também disse sentir-se orgulhoso de ter aprovado a Deferred Action (DACA) em 2012, que suspendeu temporariamente a deportação de jovens indocumentados que entraram nos Estados Unidos como crianças e são conhecidos como dreamers.

A medida beneficia pelo menos 1.7 milhão de dreamers.

“Esses jovens são maravilhosos devem ser tratados como qualquer outra criança americana. Mas o problema é ser apenas temporário e não ajuda seus pais e os outros que estão em circunstâncias similares”, disse Obama.

A lista republicana de princípios da reforma imigratória menciona os dreamers e destaca que aqueles que servem nas Forças Armadas ou se formem em uma universidade poderão ter acesso à cidadania americana.

Discurso em Maryland

Em um discurso proferido em Cambridge, Maryland, durante a conferência dos democratas da Câmara dos Deputados, Obama pediu aos membros de seu partido que façam pressão sobre este tema.

Obama afirmou confiar em poder “continuar avançando” durante este ano, apesar da “resistência” da oposição republicana.
“Temos de nos lembrar que há pessoas por trás das estatísticas, que há vidas que estão sendo afetadas”, comentou em alusão aos mais de 11 milhões de indocumentados que moram no país.

Disse que adiar sua aprovação para dois ou três anos é algo que “prejudica” muitas famílias e a economia nacional.
A Casa Branca assegura que um plano de reforma imigratória como o aprovado pelo Senado em junho conta com votos suficientes para ser votado a qualquer momento na Câmara dos Deputados.

Os democratas confirmam que 195 dos 201 membros da bancada apóiam o plano e possuem entre 30 e 40 votos republicanos.

Na semana passada, o legislador republicano de Idaho, Raúl Labrador, assegurou ao programa Al Punto da rede Univision que o apoio republicano a um plano como o do Senado somente contava com três votos.