Obama pretende mudar lei do castigo

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A proposta é completar todo o processo aqui sem necessidade de voltar ao país de origem e sujeitar-se ao perdão

O governo Obama quer mais rapidez na reunião de americanos com seus cônjuges e filhos que são imigrantes ilegais numa proposta saudada efusicamente pelos advogados, mas criticada pelos republicanos como uma maneira de empurrar medidas impopulares para o Congresso.

Atualmente, muitos imigrantes indocumentados devem deixar o país antes de pedir ao governo federal por um perdão de três a 10 anos, castigo ao qual estão submetidos por terem ficado ilegalmente nos EUA. A duração da barração depende de quanto tempo tenha vivido sem permissão nos EUA.

Na semana passada, o governo Obama propôs a mudança desta norma para permitir que filhos e cônjuges peçam ao governo para decidir sobre o pedido de perdão antes que eles retornem para seus países e esperem por um novo visto para retornar legalmente para cá.

Os imigrantes indocumentados teriam ainda de ir para o Exterior para terminar seu processo de vistos, mas obter um perdão provisório aprovado anteriormente reduz o tempo que eles estão fora do país de meses para dias ou semanas, disse Alejandro Mayorkas, diretor do Serviço de Imigração e Cidadania dos EUA (USCIS).

A proposta serve para “minimizar a extensão dos atrasos burocráticos que separam americanos de suas famílias por longos períodos de tempo”, explicou Mayorkas. Atualmente, lvea cerca de seis meses para o governo emitir um perdão, admitiu Mayorkas.

A mudança do perdão é o mais recente passo dado pelo presidente Barack Obama para fazer alterações na política de imigração sem ação do Congresso. Os republicanos têm criticado repetidamente a administração pelas mudanças na política que eles descrevem como “uma anistia pela porta de trás” para imigrantes ilegais.

A proposta chega ainda quando Obama volta suas atenções para a reeleição na qual o suporte dos eleitores hispânicos pode representar um fator determinante em vários estados. O governo espera mudar esta regra ainda este ano depois de ouvir comentários públicos.

“Anistia disfarçada”

O deputado republicano Lamar Smith, do Texas, acusou o presidente de colocar os interesses dos imigrantes ilegais à frente dos americanos. “Parece que o presidente Obama joga de acordo com suas próprias regras para empurrar estas políticas impopulares sobre o povo americano”, afirmou o chefe do Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados.

Os imigrantes que não tenham antecedentes criminais e que não violaram as leis de imigração podem receber o perdão, se puderem provar que a ausência deles causaria uma extrema dificuldade para seus parentes diretos americanos. O governo recebeu cerca de 23,000 solicitações de dificuldade em 2011 e mais de 70 por cento foram aprovadas.
Cerca de 75 por cento eram de mexicanos.

Os advogados dos imigrantes há muito tempo vêm reclamando do sistema atual, que podem separar famílias por meses ou anos. Como não há garantias de que uma pessoa sera perdoada e poderá retornar, muitas famílias de imigrantes se recusam a se arriscar a voltar para o país de origem para solicitar o perdão.

Ativistas pró-imigração e advogados aprovaram a mudança, dizendo que isto manteria as famílias juntas e encorajaria mais pessoas que vivem hoje nos Estados Unidos ilegalmente a sair das sombras e solicitar os vistos. Alguns dizem que isto pode até mesmo salvar vidas.

O deputado democrata Jared Polis, do Colorado, lembrou o caso de Tania Nava Palacios, que foi para Ciudad Juarez — onde a violência impera por causa das drogas — com seu marido e filho americanos em busca do perdão. Mas membros do cartel da droga mataram seu marido no ano passado.

Os parlamentares democratas saudaram a proposta do governo Obama de mudar o sistema de imigração por decretos, uma vez que os esforços no Legislativo falharam. “Demorou um pouco? Sim. Está acontecendo? Sim”, disse o deputado democrata Luis Gutierrez, de Illinois, que encorajou estas mudanças. “Estou dizendo para as pessoas votarem nele? Com certeza.”

Imigração tornou-se um tema difícil para Obama na eleição de novembro próximo. Como candidato presidencial, ele jurou mudar o que muitos consideram um sistema quebrado de imigração.

Os congressistas republicanos têm sido contrários às mudanças da política, argumentando que o governo Obama está dando a volta no Congresso.