Onda de violência assusta cariocas

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Arrastões e atentados mudam rotina da Cidade Maravilhosa e polícia procura explosivos

Não bastassem os arrastões, carros incendiados e ataques a postos policiais no Rio de Janeiro, os cariocas estão convivendo com outra ameaça: As autoridades confirmaram que informações recebidas pelos serviços de inteligência das corporações dão conta que um enorme carregamento de dinamite está sendo transportado para a Cidade Maravilhosa, com o objetivo de garantir arsenal para atentados na região.

Durante a semana, foram registradas 21 mortes e mais de 150 pessoas foram detidas. A onda de violência tomou conta de vários bairros e a sensação de insegurança mudou a rotina dos moradores, tanto que muitos preferiram não circular pelas ruas. “Estou apavorada. Só saio para o trabalho e, mesmo assim, com muito medo. À noite, ficamos presas em casa, principalmente no final de semana”, afirmou Solange Garrido. Outro carioca, Carlos Eduardo de Souza, cujos familiares já foram vítimas da violência, sem exceção, resumiu o estado de desespero da população: “Talvez não tenhamos sempre consciência desse pânico, mas ele aflora a todo instante. Somos prisioneiros sem termos cometido qualquer crime”.

A Polícia Militar está com seu efetivo completo nas ruas, com o apoio de agentes da Polícia Civil, principalmente nas regiões das favelas. O Ministro da Justiça colocou à disposição do governo do Estado reforço policial extra para o combate às ações do tráfico, em especial depois que investigações aventaram a possibilidade de que um caminhão com cerca de 600 quilos de dinamite estava a caminho do Rio de Janeiro. Os explosivos seriam usados em atentados contra autoridades e monumentos na cidade.
A informação foi negada pelo secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame. “Se isso foi ventilado, trata-se de um desserviço à corporação, pois pode assustar a população carioca”, disse.

De qualquer forma, a imprensa internacional deu destaque aos incidentes. O jornal argentino Clarín, por exemplo, exibiu várias fotos dos ataques e das operações policiais na favela do Jacarezinho. O mesmo aconteceu no site da BBC de Londres, que relatou com detalhes as ações das quadrilhas. Aqui nos Estados Unidos, o Los Angeles Times preferiu enfocar seu texto nas preocupações com relação à segurança para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas em 2016.