Opinião: Até onde vai o preço do combustível?

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Por Antonio Tozzi

Os especialistas apostam que um litro de gasolina comum chegará a $5 o galão neste verão aqui nos Estados Unidos. Realmente, um preço bastante salgado para a maioria dos consumidores que precisam usar o automóvel para se locomover, algo inerente para quem vive no estado da Flórida, onde o transporte urbano é precário e as distâncias são enormes.

Como sempre, em ano eleitoral, a oposição está fazendo barulho em torno deste fato. Em 2004, o então candidato à Presidência da República pelo Partido Democrata, John Kerry, criticou acidamente o governo do então presidente George W. Bush, que tentava a reeleição, por permitir que o preço do combustível chegasse a estes preços astronômicos.

Agora, a situação se repete. São os republicanos que criticam a inércia do presidente Obama, que está tentando a reeleição este ano. O que muda, na verdade, é o apelo ideológico. Enquanto os democratas propugnam novas fontes alternativas de energia, os republicanos repetem o mantra drill, ou seja, querem remover as restrições ambientais para permitir que as companhias de petróleo abram mais poços de petróleo nos EUA e na área costeira do país a fim de diminuir a dependência do petróleo estrangeiro.

A preocupação dos republicanos é procedente, mormente agora que o Irã está anunciando que não venderá o produto para compradores que ousam desafiar sua ideologia e o desejo daquele país em ser autossuficiente em energia nuclear. Aliás, esta é exatamente a grande incógnita. Os dirigentes iranianos juram que a energia nuclear será usada somente para fins pacíficos. Entretanto, os países ocidentais e principalmente Israel temem que esta tecnologia propiciará aos cientistas iranianos desenvolver a bomba atômica.

Mas, voltando à situação atual do preço da gasolina nos EUA, não há muito que o governo possa fazer no curto prazo. A Secretaria de Energia pode liberar alguns estoques de gasolina, mantidos como reserva estratégica, a fim de segurar a disparada de preços. Ou seja, apelar para o conceito da oferta e demanda.

Aliás, jogar duro contra este cartel é outra medida a ser aplicada pelos órgãos governamentais do setor de energia. Porque, se eles se dizem favoráveis ao mercado como agente regulador, não podem contradizer sua própria retórica. Isto é, as empresas de petróleo deveriam competir entre si para conquistar maior fatia de mercado e não formar um clubinho no qual eles ganham e os consumidores perdem.
Analisando friamente, o projeto do governo é de fato a melhor aposta. É inconcebível uma potência como os Estados Unidos e as nações do Ocidente ficarem à mercê de fornecedores de países cujos costumes remotam à época da Idade Média, com suas idiossincrasias anacrônicas.

Por isto, urge os governos das nações evoluídas destinarem subsídios ao desenvolvimento de veículos movidos a novas fontes de energia. E estender estes incentivos aos consumidores. Como? Simples. Basta reduzir impostos para as montadoras quando fabricarem veículos não poluentes. Isto reverteria em aumento da produção e em redução de preços.

Dessa maneira, os consumidores poderiam comprar mais automóveis que utilizam este tipo de fonte energética, ao mesmo tempo em que os cientistas dedicariam mais tempo e recursos no aperfeiçoamento do sistema de energia. Porque infelizmente hoje adquirir um veículo movido a energia é muito caro em comparação aos carros movidos a gasolina.

A esperança é que no mundo de desenvolvimento tecnológico tão rápido como estamos vivendo atualmente seja possível oferecer uma alternativa confiável, segura e acessível para substituir o petróleo como fonte energética para o transportes até porque todos sabemos que o petróleo é uma fonte não renovável e no futuro teremos de viver sem ele.

Usando uma analogia, os ratos precisavam alimentar-se, mas a presença do gato na casa impedia que eles pudessem movimentar-se tranquilamente e precisavam correr para a toca para não serem capturados. Fizeram então uma assembleia para decidir o que fazer diante daquela situação. Um ratinho sugeriu que fosse colocado um guizo no gato, assim, toda vez que ele se movimentasse os ratos ouviriam e poderiam se esconder. Todos aplaudiram a ideia. Porém, surgiu um problema: quem colocaria o guizo no gato?

O problema no caso do petróleo, como diz o ditado, é quem vai colocar o guizo no gato. Ou seja, quem terá coragem de enfrentar o poder das companhias petrolíferas e ameaçar deixá-las órfãs de sua principal fonte de faturamento? Está aí uma questão que permanece sem resposta…