Opinião: Imigrantes: necessidade

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Por: Antonio Tozzi

À medida que se aproximam as eleições gerais de novembro, uma questão vai ganhando relevância: o que fazer com os imigrantes que vivem nos EUA e como reabrir as portas para vinda de mais imigrantes, que formaram o tecido social da nação mais rica do planeta?
A discussão, no entanto, tem derivado mais para o lado ideológico do que para o lado prático. Enquanto os republicanos conservadores mais radicais culpam os imigrantes indocumentados por todas as mazelas do país aumento de desemprego, criminalidade e de impostos -, os liberais defendem a presença dos imigrantes que vivem fora do status legal e denunciam os desmandos de algumas autoridades que desejam deportar estas pessoas antes mesmo de serem condenadas pela Justiça.

Nesse cabo-de-guerra, há espaço para as vozes mais sensatas. Religiosos evangélicos estão cada vez mais propensos a aceitar a regularização dos imigrantes no país, enquanto empresários também propugnam uma solução para o problema que vem prejudicando sobremaneira seus negócios, sobretudo, no caso dos proprietários rurais que dependem demais da mão-de-obra estrangeira para a manutenção e o crescimento de suas empresas.

Do outro lado, vozes incendiárias aumentam o volume da discussão, impedindo uma reconciliação que possa resolver a questão de cerca de 11 milhões de pessoas que aqui vivem como cidadãos de segunda classe. São radialistas da ultradireita e a poderosa rede de TV Fox News que dificultam qualquer tipo de diálogo sensato para solucionar o problema.

A pressão para mudar o quadro, porém, é grande. Depois da retórica anti-imigrante adotada em sua campanha eleitoral no Partido Republicano, Mitt Romney optou pelo mutismo sobre este tema, por saber que os votos dos latinos são fundamentais para se eleger o presidente da República. Discretamente, Marco Rubio, um senador cubano-americano da Flórida, vem acenando com a aprovação do DREAM Act um projeto de lei que legalizaria todos os jovens que vieram para os EUA quando crianças e agora encontram-se no limbo imigratório, por essencialmente serem americanos no modo de pensar, mas não disporem dos documentos que lhes deem acesso a ser como os americanos nativos ou naturalizados.

Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, integra associações de empresários e cidadãos que visam justamente incentivar a vinda de imigrantes de outros países como forma de enriquecimenmto cultural e impulso econômico só, a título de ilustração, as principais empresas americanas do setor tecnológico tiveram entre seus fundadores pelo menos um imigrante, como é o caso de eBay, Yahoo, Google e Facebook, que no início contou com o financiamento do paulista Eduardo Saverin. Depois de uma disputa judicial com Mark Zuckenberg, o brasileiro ganhou a ação e foi recompensado.

Recentemente, ele passou a ser visto como vilão por parte da mídia dos EUA por ter renunciado à cidadania americana para não pagar US$ 67 milhões em impostos ao governo do país. Saverin defende-se ao dizer que adotou a cidade-estado de Cingapura como sua residência e não precisaria mais ser cidadão americano. Em contrapartida, o governo do país está discutindo a não concessão de visto de entrada de Saverin nos EUA como uma punição por um ato, considerado por eles, como uma avareza.

Evidentemente, é este tipo de imigrante que os EUA estão procurando. Mas alguns políticos exageram, como é o caso do deputado Steven King, republicano de Iowa. Ele comparou imigrantes a cães de caça, ou seja, só devem ser escolhidos aqueles com mais capacidade para farejar a presa. Traduzindo, ele sugere que somente sejam aceitos investidores e profissionais capacitados particularmente das áreas de ciências e tecnologia para ajudar a manter os Estados Unidos na vanguarda mundial. A retórica foi veementemente condenada pelos ativistas pró-imigrantes e pelos democratas, que exigem uma retratação do autor da frase pela infeliz comparação.

Pode-se também incentivar os vistos humanitários a fim de tirar famílias sírias daquele inferno pelo qual está passando o país. Esta semana, tropas do governo de Bashar al-Assad massacraram um vilarejo matando 90 pessoas, sendo um terço delas crianças indefesas. Claro que, após a condenação mundial, o governo pressurosamente negou a autoria da chacina e creditou o massacre às tropas rebeldes. Mas que interesse teriam os rebeledes em matar famílias de um vilarejo que é simpático à causa deles? Parece que uma intervenção militar na Síria é uma questão de tempo e de necessidade.