Opinião: O começo do fim

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Por: Antonio Tozzi

Será que a farra dos brasileiros está chegando ao fim por conta da crise econômica mundial? Afinal, neste último mês a desvalorização do real perante o dólar fez a economia brasileira perder um pouco do brilho. Também com um PIB de 0,8% de crescimento menor entre as economias emergentes -, o Brasil parece estar voltando aos tempos da seguran­ça em dólar por falta de confiança na política econômica do governo, que está até mesmo detonando os rendimentos da caderneta de poupança para obrigar a população a consumir e manter a economia aquecida.

Sem querer entrar na análise monetária do governo brasileiro, o que salta aos olhos é a alternância do padrão econômico. Ou seja, a classe alta e a classe média que estavam rindo à toa com os preços acessíveis dos imóveis nos Estados Unidos já sentiram que o apartamento em Miami Beach e a viagem para a Disneyworld em Orlando estão 15% mais caros.

O irônico é que, mesmo com a elevação do valor do dólar, os economistas constataram que fica mais barato fazer compras nos EUA do que no Brasil por causa das altas taxas agregadas aos produtos comercializados no Brasil. Ou seja, caímos de novo na necessidade de se fazer uma reforma tributária para aliviar a carga dos empresários e impulsionar o crescimento do país e a geração de empregos, além de incentivar uma política de exportações.

Quando se fala em exportação, porém, pensa-se em produtos acabados com valor agregado que realmente gerem riqueza. Atualmente, o Brasil escora-se demais na venda de commodities no mercado internacional, itens que variam de acordo com as oscilações do mercado derivadas do crescimento das outras nações. É o caso da China, por exemplo, que também está num processo de desaceleração econômica e portanto comprando menos. Assim, o Brasil sofre os efeitos porque vê o volume das exportações diminuir e tem poucas alternativas para substituir o faturamento obtido com as commodities em tempos de vacas gordas.

Talvez seja por isto mesmo que o governo quer agradar os empresários e ter um dólar mais acessível, a fim de tornar os produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional, algo que hoje está fora da realidade. Fica difícil exportar produtos similares aos fabricados em outros países vendidos a preços iguais ou mais elevados.

No entanto, os empresários brasileiros se queixam, com razão, da excessiva carga de impostos que incide sobre suas empresas, produtos e serviços. Isto é ruim porque penaliza os próprios empreendedores, que perdem competitividade, e os consumidores, que pagam mais caro por produtos sobrevalorizados em função de impostos agregados que nada acrescentam à qualidade final das mercadorias.

Fica claro, portanto, a necessidade premente de se fazer uma reforma tributária. Todos concordam, mas ninguém quer abrir esta caixa de Pandora. Os políticos temem que a reforma tributária retire recursos de seus cofres, comprometendo a arrecadação. O duro é constatar que cerca de metade do que se arrecada é destinado ao pagamento dos servidores públicos, restando muito pouco para se investir em áreas fundamentais como educação, saúde e segurança pública.

Há agora, conforme tenho notado através de reclamações de empresários que se cansaram de tentar montar negócios no Brasil e estão vindo para cá, a ditadura da Justiça do Trabalho. De nada adianta o empregador pagar todos os impostos, recolher as contribuições trabalhistas e cumprir as obrigações, se uma simples denúncia do ex-empregado tem mais valor do que os documentos comprobatórios. Resumo da ópera: o empregador paga o que não deve simplesmente para se livrar do problema. Evidentemente, o empresário repassa este custo para os produtos e serviços e aí quem acaba arcando com tudo isto é o pobre do consumidor.

Some-se a isto, a insegurança pública, que também acaba empurrando muitos brasileiros para fora do país por temor de sequestros e roubos, e a corrupção absurda que sempre foi traço característico da nação com o indigitado jeitinho e parece ter alcançado o ápice neste século XXI. Nunca se viu tantas falcatruas em todas as esferas governamentais, com envolvimento de empresas de todos os níveis
Traduzindo, ou o Brasil aproveita esta oportunidade para promover as reformas necessárias e inadiáveis ou perdermos novamente o trem da história e ficaremos condenados a ser o eterno país do futuro aquele que nunca chega.

Publicado anteriormento no www.diretodaredacao.com