Opinião: Obama, o favorito

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Jehozadak Pereira

Com a vitória de alguns pontos importantes da reforma da saúde na Suprema Corte na quinta-feira, 28, de junho, o presidente Barack Obama se firma cada vez como favorito na eleição presidencial de 6 de novembro próximo.

É sabido e notório que Mitt Romney é o candidato dos sonhos que Obama sempre quis ter para a disputa eleitoral, principalmente pela rejeição que o ex-governador do estado de Massachusetts tem contra si, inclusive dentro do seu partido, onde uma ala o contesta veementemente, embora já tenha matematicamente conseguido os delegados suficientes para conquistar a indicação republicana.

Há duas semanas, Obama permitiu que estudantes indocumentados e que atendessem alguns pré-requisitos pudessem solicitar o social security e a autorização de trabalho, o que logicamente provocou stress entre os republicanos, a começar do próprio Mitt Romney que protestou de modo tímido e acanhado.

É óbvio que Obama tomou a decisão de olho no importante e influente eleitorado latino que pode e certamente vai decidir a eleição em seu favor, mesmo que não concorde com algumas posições dos democratas, entre elas o aborto e o casamento gay, que ganhou o apoio presidencial semanas atrás.

Obama faz campanha e tem a mobilidade e a possibilidade de atender a diversos interesses ávidos por uma palavra ou atitude de quem tem a caneta e pode sim beneficiar setores da vida civil, social e econômica nos Estados Unidos.

Não há como negar que o atual presidente é um homem corajoso e destemido e que faz questão de mostrar isto para quem quiser enxergar, e a prova disto foi uma pesquisa divulgada na quarta-feira (27) mostrando que Obama tem a preferência do eleitorado latino e é de olho nele que o staff de campanha mira.

A cada dia que passa ficam evidentes as posições dos republicanos, e é certo que os atos de Obama fazem com que eles se coloquem na defensiva. Mitt Romney tem uma posição dúbia, principalmente nas questões imigratórias, pois não tem coragem de dizer abertamente que vai revogar o ato de Obama que beneficiou estudantes indocumentados. Se afirmar isto, mostrará ao eleitorado latino estar contra os imigrantes indocumentados; se não fizer, contraria setores do seu partido que querem uma posição aberta dele.

Já na questão da reforma da saúde, Romney disse abertamente que vai revogá-la se for eleito. Mais ainda, disse que o fará no seu primeiro dia de governo e se esquece que a reforma tem o modelo daquela implantada por ele quando era governador de Massachusetts. Ou seja, Romney vai alinhar-se com seu partido e com alguns setores empresariais que não querem a reforma da saúde.

Não se sabe ainda ou não está devidamente evidente qual será a munição que Romney e os republicanos têm para neutralizar os atos do presidente-candidato que cada dia mais se consolida na dianteira da corrida presidencial.

Há muita coisa em jogo nesta eleição, a começar da questão imigratória, já que há pelo menos 12 milhões de pessoas nas sombras e sem documentos mas que são consumidores, pagadores de impostos, trabalhadores, pais e mães de família que têm anseios e desejos de um dia se legalizarem neste país.

Outras questões envolvem o déficit público, a dívida externa, o desemprego, a recessão, as guerras no estrangeiro, a tão combatida reforma da saúde, o socorro que já aconteceu para algumas empresas e negócios, há também a grave crise financeira que assola o mundo e que ronda permanentemente os Estados Unidos, entre outros graves problemas.

Obama é inteligente, tal como o é Romney, mas há as tradicionais diferenças e divergências entre os dois candidatos e partidos e caberá ao eleitor decidir quem é o melhor. Obama leva vantagem sem dúvida alguma e por isso é o favorito, mas até novembro muita coisa ainda vai acontecer, mas até que chegue há a certeza de que Obama se consolida como a melhor opção para a maior democracia do planeta.

O que nos resta é esperar para que o presidente tire mais uma carta da manga e que nesta carta venha escrito a palavra reforma imigratória. Aí sim, será sim de vez o escolhido.