Opinião: Obama ou Romney?

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Jehozadak Pereira

A eleição presidencial nos EUA é por vezes decidida num detalhe. Este detalhe apontou em 1999 vitória de George W. Bush, que obteve menos votos do que Al Gore e ganhou uma eleição com um sistema intricado e cuja maioria no voto popular não dá ao candidato a vitória.

Nas eleições presidenciais em 2000, George W. Bush teve um número inferior de votos ao do candidato democrata, Al Gore 48,38% contra 47,87% de Bush. Gore, então vice-presidente de Bill Clinton, obteve expressiva votação nas maiores cidades americanas, tradicionais redutos democratas. Contudo, o republicano Bush levou a maioria dos votos no interior do país e foi vencedor num número maior de estados, e com isto conseguiu mais delegados no Colégio Eleitoral 271 x 266, determinantes para a sua vitória.

Em setembro de 2001, meses depois da sua posse, Bush enfrentou a pior crise da história política e social dos Estados Unidos nos últimos 80 anos–o atentado contra o World Trade Center, e a recessão que se abateu sobre os Estados Unidos e o mundo nos meses seguintes.
Embora não tivesse culpa ou responsabilidade alguma sobre os atentados, Bush viu seu território ser invadido e vidas serem ceifadas sob o seu olhar e, jamais o país foi o mesmo depois disto.

Uma média de 13% da população americana é composta de idosos com mais de 65 anos de idade, que não têm posição política definida e cuja maior entidade Associação Americana de Pessoas Aposentadas, em inglês AARP não faz doações partidárias, mas é um dos segmentos que mais faz pressão junto aos governantes. A AARP alinha-se tradicionalmente com os democratas.

Coalizões cristãs e conservadoras se opõem ferrenhamente ao aborto e ao casamento entre os homossexuais. Mitt Romney, pessoalmente, se opõe ao casamento homossexual enquanto Obama apóia as uniões que darão aos gays acesso aos mesmos benefícios oferecidos aos casais heterossexuais.

Nesta eleição, a discussão é sobre o aborto e o casamento homossexual que causa arrepios nos mais empedernidos republicanos. Esta eleição é singular, pois mostra a força cada vez mais crescente e influente do Tea Party que conseguiu impor Paul Ryan, um deputado conservador como o vice na chapa de Mitt Romney.

Um dos temas preferidos da campanha é o crescente déficit orçamentário americano. Nesta eleição o que está em jogo vai além da política econômica que está em recessão, e tem sido o principal mote dos republicanos que não se cansam de atacar Obama por causa disto.

Nas respectivas campanhas não se toca no tema imigração que é o nosso foco de interesse, a não ser de modo tímido e acanhado, pois tratar deste assunto não dá nenhum voto, ao contrário, tira muitos votos de qualquer candidato. Há também a questão proposta por Mitt Romney da autodeportação, embora diga-se por aí que tudo não passa de boato, defendido às unhas e dentes, mas, boato ou não, a proposta, ou sequer o pensamento, é de uma desumanidade tremenda.

É óbvio que Obama não conseguiu resolver todos os problemas propostos e também não é o candidato dos sonhos de muita gente, mas mesmo assim é o preferido da maioria 421pelo menos é o que indicam as pesquisas de opinião.

Portanto, o que estará em jogo no dia 6 de novembro é o passo adiante da América em direção à estabilidade ou ao atraso, ao ranço, ao baixo astral, às propostas espúrias e indecentes, principalmente aquela que diz respeito ao trabalhador indocumentado. Há alguns brasileiros que pensam estar em jogo somente a questão delicada do aborto e do casamento gay, o que é admissível, pois nossa gente é religiosa ao extremo e, portanto, isto faz sentido sob este ponto de vista.

Porém, deve-se atentar para os reais problemas que esta nação tem, entre eles milhões de imigrantes indocumentados que vivem nas sombras da intolerância e da ignorância. Quem vai ganhar? Obama ou Romney? Isto só vamos saber na noite de 6 de novembro.