Países de língua portuguesa se preparam para reforma ortográfica

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Mudanças entram em vigor ainda em 2008

O trema está com os dias contados. Ninguém mais vai precisar se preocupar com aqueles dois pontinhos que ficam em cima da letra u em palavras como freqüência ou lingüiça. Esta é apenas uma das várias mudanças previstas com a implantação da reforma ortográfica do português, definida pelos oito países que falam e escrevem o idioma: Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor Leste.
As alterações entram em vigor ainda em 2008, mas especialistas estimam que seja necessário um período de dois anos para que a sociedade se acostume às novas regras. Em Portugal, onde as mudanças serão mais significativas, houve forte resistência, inclusive por parte da classe política. “A língua portuguesa é o maior patrimônio que Portugal tem no mundo”, afirmou o deputado Mota Soares.
O desejo pela unificação das regras do idioma é antigo e desde 1990 os representantes dos oito países lutavam para simplificar a comunicação entre os lusófonos. Só agora, porém, todos ps países ratificaram as mudanças. No Brasil, o Ministério da Educação já iniciou as alterações nos livros didáticos e pretende que elas sejam plenamente implementadas em 2009.
O português é a língua oficial de 230 milhões de pessoas em todo mundo, 190 milhões delas no Brasil. Os defensores das mudanças alegam que a padronização facilitará buscas na internet e uniformizará termos jurídicos para a elaboração de contratos internacionais. Além disso, o governo português tem a esperança de que, com a padronização, o idioma finalmente se torne uma das línguas oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU). Atualmente, a ONU tem seis idiomas oficiais: o árabe, o espanhol, o francês, o inglês, o mandarim e o russo.
A seguir, as principais mudanças nas regras:
O fim do trema: o acento seria totalmente eliminado. A palavra ‘freqüente’ passa a ser escrita ‘frequente’.
Eliminação de acentos em ditongos: acaba-se o acento nos ditongos ‘ei’ paroxítonos. Dessa maneira, ‘idéia’ vira ‘ideia’.
Acento circunflexo: quando dois ‘os’ ficam juntos também some. Logo, ‘vôo’ vira ‘voo’.
Cai o acento diferencial: o acento que diferenciava palavras homônimas de significados diferentes acaba. Conseqüentemente, ‘pára’ do verbo parar vai ficar apenas ‘para’.
Hifens: caem a maioria dos hifens em palavras compostas. Assim, pára-quedas vira paraquedas. Será mantido o hífen em palavras compostas cuja segunda palavra começa com h como pré-história. Em substantivos compostos cuja última letra da primeira palavra e a primeira letra da palavra são as mesmas, será feita a introdução do hífen. Assim microondas vira micro-ondas.
Inclusão de letras: as letras antes suprimidas do alfabeto português (k, y e w) voltam, mas só valem para manter as grafias de palavras estrangeiras
Fim das letras mudas: em Portugal, é comum a grafia de letras que não são pronunciadas como ‘facto’ para falar ‘fato’. Elas sumirão.
Dupla acentuação: foi mantida a diferença de acentuação entre o português brasileiros e o lusitano. É comum quando se fala do acento circunflexo e agudo: assim, nós escrevemos ‘econômico’ e eles, ‘económico’.