Papa Francisco pede que fiéis não “procriem como coelhos”

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Recente declaração do pontífice rompe ‘lua de mel’ com opinião pública e até com criadores de coelhos na Alemanha

DA REDAÇÃO COM NEW YORK TIMES

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Desde que ele assumiu o pontificado, dois anos atrás, o mundo se acostumou aos modos simples do Papa Francisco. Com suas histórias caseiras e seu humor rápido, o Papa muitas vezes parece mais um tio falador do que o líder do 1,2 bilhão de católicos do planeta.

Mas sua mais recente declaração–ele disse esta semana que os católicos não deveriam se sentir compelidos a procriar “como coelhos”–parece ter estabelecido um novo padrão para os pronunciamentos papais, divertindo a alguns e insultando outros.

Falando a jornalistas na segunda-feira (19) em seu voo de retorno de uma visita de uma semana ao Sri Lanka e Filipinas, o Papa fez sua declaração sobre coelhos (“com perdão da palavra”, ele acrescentou), e disse que os católicos deveriam em lugar disso praticar a paternidade responsável, apontando que existem diversas opções de controle da natalidade que não violam as normas da Igreja quanto a métodos anticoncepcionais.

Mas foi a declaração sobre os coelhos que causou ruído na esfera da mídia social, atraindo reações em geral bem humoradas. Fotos e desenhos de coelhos–nem todos publicáveis por um jornal mais convencional–proliferaram no Twitter. Um usuário, Gabriel Sánchez, perguntou se “alguém conhece a posição oficial da Igreja Ortodoxa sobre #coelhos? Ela se desenvolveu ou foi obscurecida ao longo das décadas?” Outros usuários aconselharam os católicos a “saltar para a cama”.

Alguns veículos noticiosos reportaram que criadores de coelhos na Alemanha acusaram o Papa de vilipendiar a espécie com suas afirmações espúrias.

Na Itália, como seria de esperar, o Papa se tornou notícia de primeira página. A maioria dos editores de jornais não conseguiu resistir ao comentário sobre os coelhos. Um colunista do jornal “La Stampa”, de Turim, apelidou o Papa de “Padre Coelho”, e sugeriu que sua declaração ficará para a posteridade como “o Sermão do Coelho”.

Mas alguns católicos se ofenderam. Uma usuária do Twitter chamada Rachel Penny criticou o Papa. “Como ele propõe que as mulheres sejam ‘responsáveis’ e tenham menos filhos se ele se recusa a aprovar os AC hormonais?”, ela escreveu, fazendo referência a anticoncepcionais.

E a organização Catholics for Choice, que se opõe às restrições da Igreja quanto ao uso de anticoncepcionais, disse que a declaração de Francisco era “especialmente perturbadora por conta da guerra continuada da hierarquia católica contra o controle de natalidade e a livre escolha quanto à reprodução”.

Para expressar seu argumento, Francisco recordou uma paroquiana que estava grávida do oitavo filho depois de passar por sete cesarianas. “Ela quer deixar sete crianças órfãs?”, ele perguntou. “Isso é tentar Deus. Falo de paternidade responsável”.

“Aquela mulher poderia afirmar que confia em Deus, mas a verdade é que Deus nos confere meios de sermos responsáveis”, o Papa acrescentou, criticando o que percebe como comportamento irresponsável. Ele afirmou que especialistas dizem que três crianças por família é o número ideal para manter a população.

A Igreja aceita o planejamento familiar natural, que consiste de abstinência periódica de sexo nos períodos de fertilidade da mulher.

O Papa estava respondendo a um jornalista que disse que muitos filipinos acreditavam que a superpopulação contribuía para a pobreza do país, e que muitos filipinos discordavam das restrições da Igreja aos anticoncepcionais.

Mencionando o Papa Paulo 6º, recentemente beatificado, cuja encíclica de 1968 explica a oposição da Igreja aos anticoncepcionais, Francisco disse que a abertura à vida é uma condição essencial do casamento, mas que isso não significa que cristãos devam “produzir crianças em série”.

Mas mesmo as suas explicações fundadas na doutrina da Igreja causaram perplexidade. Richard Shaw, um usuário do Twitter, comentou: “O que esse cara tem contra os coelhos?”