Parentes de americanos mortos por imigrantes queixam-se do ICE

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Painel na Câmara debate crimes cometidos por imigrantes indocumetados contra cidadãos americanos

Jamiel Shaw chora a morte do filho, assassinado por um imigrante indocumentado em Los Angeles
Jamiel Shaw chora a morte do filho, assassinado por um imigrante indocumentado em Los Angeles

DA REDAÇÃO (com Agências) – O pai de um adolescente negro morto por um imigrante indocumentado pergunta: “Será que a vida de um negro tem mesmo importância?” Aquestão foi levantada durante uma audiência na Câmara sobre a política do Departamento de Homeland Security a respeito da permanência de “não cidadãos ilegalmente presentes nos Estados Unidos.”

Jamiel Shaw e Michael Ronnebeck, respectivamente pai e tio de dois homens mortos no princípio deste mês por imigrantes ilegais, testemunharam na quarta-feira diante de um subcomitê do U.S. House Committee on Oversight and Government Reform, encarregado de debater reformas na administração federal.

Os dois homens alegaram que as práticas de detenção displicentes do ICE (Immigration and Custom’s Enforcement – polícia imigratória) contribuíram para a morte dos membros da família. O ICE passou por uma severa revisão quando foi revelado que em 2013 a agência livrou mais de 36 mil estrangeiros criminosos de sua custódia. Desses, cerca de 200 haviam cometido assassinatos.

Shaw falou sobre o filho, Jamiel Shaw II, que em maio de 2008, aos 17 anos, levou um tiro de Pedro Espinoza, de 19 anos, um imigrante mexicano que estava ilegalmente no país.

“A paz e a liberdade da minha família foram roubadas por um imigrante ilegal do México, trazido para cá por seus pais estrangeiros ilegais”, disse Shaw na audiência presidida pelo deputado Ron DeSantis, da Flórida.

Ele contou que o filho, destaque nos esportes em Los Angeles, caminhava pela rua onde morava quando foi abordado por Espinoza e um amigo.

Shaw disse que foi provado em corte que Espinoza – que pertencia a uma gangue latina – perseguiu seu filho porque ele era negro.

Espinoza – que acabou condenado à morte pelo assassinato – tinha três acusações por porte de arma em sua ficha criminal e tinha cumprido somente quatro meses de oito de uma sentença por agressão com arma letal e agressão a um policial. Saiu da cadeia um dia antes de assassinar Shaw.

“Por que foi permitido a esse imigrante ilegal violento andar pelas ruas da América em vez de ter sido deportado?” perguntou Shaw. “Por que o ICE não foi chamado para levar esse invasor violento? O governo não prometeu que nos manteria seguros da ameaça de imigrantes ilegais violentos? O dever do governo americano é o de sempre colocar as famílias americanas em primeiro lugar.”

Grant Ronnebeck, de 19 anos, sobrinho de Michael Ronnebek, que também deu seu testemunho no subcomitê, foi assassinado no mês passado enquanto fazia hora extra numa loja de conveniência em Mesa, Arizona.

Apolinar Altamirano, um imigrante ilegal de 29 anos que alegou ter conexões com a máfia mexicana, deu um tiro no rosto de Ronnebeck ao comprar um maço de cigarros.

Em agosto de 2012 ele foi preso junto com outros dois indivíduos depois de sequestrar e violentar uma mulher e depois saquear seu apartamento. Altamirano declarou-se culpado da acusação de invasão de domicílio, pegou dois anos de detenção e depois foi entregue ao ICE.

Mas o ICE o liberou sob fiança, aguardando uma audiência de deportação.

Na época, dois pedidos de proteção contra ele foram requisitados – um dos quais de uma mulher que alegou que Altamirando ameaçou matá-la e apontou uma arma para o seu namorado.

O ICE foi notificado sobre os pedidos de proteção, mas Altamirano “continuou livre no país”, disse Ronnebeck.

“O ICE deveria estar fazendo o seu trabalho para o povo americano, com a segurança dos americanos em primeiro lugar”, disse emocionado Ronnebeck.